Ronaldo desiste da presidência da CBF, mas como funciona para ser eleito?

Ex-jogador anunciou desistência em suas redes sociais após receber apoio de apenas quatro federações

Ronaldo Fenômeno é sócio na empresa de marketing esportivo Octagon Latam

Ronaldo anunciou, nesta quarta-feira, em suas redes sociais que desistiu de se candidatar à presidência da CBF | Reprodução

O ex-jogador e duas vezes campeão da Copa do Mundo Ronaldo Nazário, o Fenômeno, anunciou em suas redes sociais que desistiu de se candidatar à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Continua após a publicidade

Atualmente, o cargo é ocupado por Ednaldo Rodrigues, que recebeu o apoio de 23 das 27 federações estaduais, enquanto apenas quatro se mostraram abertas a ouvir as ideias de Ronaldo.

Continua após a publicidade

Em seu mandato, Ednaldo chamou a atenção após determinar restrições aos atletas da Seleção Brasileira, entre elas, cabelo pintado, brincos e até sem fones de ouvido ou música alta na chegada aos estádios.

Continua após a publicidade

Mas, como funciona as eleições para presidente da CBF? A Gazeta te explica.

Continua após a publicidade

O sistema eleitoral da CBF concede o direito do voto para as 27 federações estaduais, aos 20 clubes da primeira divisão e aos 20 clubes da segunda divisão.

Continua após a publicidade

No entanto, os votos não possuem o mesmo peso: 

Continua após a publicidade
  • Federações: peso três (81 votos no total)
  • Clubes da Série A: peso dois (40 votos no total)
  • Clubes da Série B: peso um (20 votos no total)

Com isso, entende-se que aquele que tiver apoio das federações vence, por sua capacidade de acumular 81 votos, enquanto os clubes da Série A e B só chegam a 60.

Continua após a publicidade

Caso Ronaldo

No caso do ex-candidato a presidente da CBF, sua desistência foi motivada pela perda automática de 69 pontos, pertencentes às 23 federações que recusaram ouvir suas propostas.

Continua após a publicidade

Em um mundo onde todas as federações aceitassem escutar suas ideias, Ronaldo ainda tinha que se adequar a alguns fatores caso quisesse chegar ao cargo máximo da CBF:

Continua após a publicidade
  • Ser desvinculado de qualquer clube, no caso o Valladolid, da Espanha;
  • Ter o apoio por escrito de quatro federações estaduais de futebol;
  • Ter o apoio de quatro clubes das séries A ou B para inscrever uma chapa;
  • Convencer o colégio eleitoral a votar em maior número em sua candidatura.

“No meu primeiro contato com as 27 filiadas, encontrei 23 portas fechadas. As federações se recusaram a me receber em suas casas, sob o argumento de satisfação com a atual gestão e apoio à reeleição”, explicou o Fenômeno, nesta quarta-feira (12/3), em suas redes sociais.

Continua após a publicidade

Confira a nota na íntegra

“Depois de declarar publicamente o meu desejo de me candidatar à presidência da CBF no próximo pleito, retiro aqui, oficialmente, a minha intenção. Se a maioria com o poder de decisão entende que o futebol brasileiro está em boas mãos, pouco importa a minha opinião.

Continua após a publicidade

Conforme já havia dito, os meus primeiros passos seriam na direção de dar voz e espaço aos clubes, bem como escutar as federações em prol de melhorias nas competições e desenvolvimento do esporte em seus estados. A mudança necessária viria desse alinhamento estratégico, com a força da visão compartilhada.

Continua após a publicidade

No entanto, no meu primeiro contato com as 27 filiadas, encontrei 23 portas fechadas. As federações se recusaram a me receber em suas casas, sob o argumento de satisfação com a atual gestão e apoio à reeleição. Não pude apresentar meu projeto, levar minhas ideias e ouvi-las como gostaria. Não houve qualquer abertura para o diálogo.

Continua após a publicidade

O estatuto concede às federações o voto de maior peso e, portanto, fica claro que não há como concorrer. A maior parte das lideranças estaduais apoia o presidente em exercício, é direito deles e eu respeito, independentemente das minhas convicções.

Continua após a publicidade

Agradeço a todos que demonstraram interesse na minha iniciativa e sigo acreditando que o caminho para a evolução do futebol brasileiro é, antes de mais nada, o diálogo, a transparência e a união”.