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Na campanha ao governo,  Doria  prometeu aumentar o salário dos policiais, mas ainda não cumpriu
Na campanha ao governo, Doria prometeu aumentar o salário dos policiais, mas ainda não cumpriu
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

SP tem 2º pior salário do País para delegado

levantamento. São Paulo aparece também na lanterna dos rankings de salários de escrivães e investigadores da polícia

Estado mais rico do País e o segundo com a maior renda per capita, São Paulo paga um dos menores salários do Brasil para seus delegados de polícia, na comparação com outras unidades federativas, mostra levantamento da
categoria.

Pesquisa do Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia de SP) mostra que um delegado da Polícia Civil em início de carreira ganha
R$ 9.888,37, à frente apenas de Pernambuco, que paga R$ 9.069,81, e atrás de todos os outros estados do País. O maior salário é em Mato Grosso, que paga R$ 24.451,11, segundo o levantamento.

São Paulo aparece também na lanterna dos rankings de salários de escrivães (responsáveis pela burocracia nas delegacias) e investigadores da polícia, de acordo com as informações do sindicato.

Os dados foram levantados em todos os estados da federação, com informações de portais da transparência, secretarias de segurança e diários oficiais.

Na campanha ao governo do Estado, o governador João Doria (PSDB) prometeu aumentar o salário dos policiais, mas ainda não cumpriu a promessa.

Para a presidente do sindicato, Raquel Kobashi Gallinati, o fato de estados mais pobres pagarem salários maiores que São Paulo mostra que "valorizar a carreira policial não é uma decisão econômica, mas política".

No último mês, o Sindpesp entregou ao governo Doria um relatório sobre as condições de trabalho dos agentes. Segundo o relatório, entre 2013 e 2018, o salário dos agentes subiu 11,2%, enquanto a inflação chegou a 36% no período.

O relatório denuncia também sobrecarga e acúmulo de funções, problemas em infraestruturas de delegacias e armamentos e viaturas
sucateadas.

"Não temos condições para fazer o trabalho que a população de São Paulo merece, que é um trabalho de excelência. O governo coloca como principal vítima a sociedade, dando margem para os bandidos atuarem", afirma Gallinati.

Desde 2017, o Sindpesp levanta a defasagem de profissionais da Polícia Civil de São Paulo, ferramenta que batizou de "defasômetro". Há, segundo o levantamento do sindicato, 14.510 cargos vagos na corporação, um terço do total de cargos na Polícia Civil.

Só em setembro, houve 304 baixas, entre aposentadorias, mortes e exonerações. Houve ainda pelo menos 731 pedidos de aposentadoria protocolados, segundo o sindicato. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de SP disse que "a atual gestão pagou os bônus de 2018 que estavam em atraso - ao todo foram pagos R$ 232,4 milhões a 143.521 policiais -, e montou um grupo de trabalho para discutir a recomposição salarial dos agentes de segurança pública. Este trabalho deverá ser concluído até o fim deste mês, quando os resultados serão apresentados".

O governo diz que "trabalha para reforçar o policiamento em todo o estado e valorizar as carreiras policiais". Doria lançou no último mês uma campanha publicitária voltada para a segurança pública. A campanha custou R$ 12,7 milhões e foi feita pela agência Lew'Lara, uma das três que cuidam da conta de R$ 150 milhões anuais do
governo. (FP)

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