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Falta de uma rede de internet eficiente pode afetar 800 crianças
Falta de uma rede de internet eficiente pode afetar 800 crianças
Foto: Rodrigo Montaldi/Arquivo DL

Internet de má qualidade atrapalha alunos da Ilha Diana, em Santos

Situação atinge mais de 800 alunos na Área Continental

Santos recebeu título de Cidade Educadora e Cidade amiga da Criança. No Portal da Transparência da Prefeitura tudo segue muito bem, conforme texto publicado: "a rede municipal de Educação tem realizado muitas transformações e avanços, ampliando acesso às tecnologias digitais nas escolas, em formações a distância e ações de inclusão digital". No entanto, em pleno 2020 e no meio de uma pandemia, 32 crianças e adolescentes da Ilha Diana estão com dificuldades para estudar por falta de uma rede de internet eficiente. A situação deve atingir mais de 800 crianças.

"Na verdade, nunca tivemos sinal de internet na escola (Unidade Municipal de Ensino Ilha Diana). Nem na sala com aparelhos e última geração, com computadores e notebooks, montada pelas empresas DPW e Suzano, em parceria com a Prefeitura de Santos. A Administração sempre soube isso", revela Patrícia Dos Santos, integrante da Associação de Moradores da Ilha Diana e integrante do Projeto de Turismo Vida.

Segundo conta Patrícia, a internet da Ilha Diana é via rádio ou operadora de celular. Mesmo assim, muito ruim. "O sinal é péssimo e as crianças não conseguem acessar. A UBS (Unidade Básica de Saúde) da Ilha também não tem sinal. A solução seria um serviço de fibra ótica para toda comunidade", acredita.

Furtado

E a indignação não se limita à líder comunitária. Em recente visita à Ilha Diana, o vereador Benedito Furtado (PSB), que preside a Comissão Especial de Vereadores (CEV) que trata da Área Continental do Município, ouviu da população que o sinal piorou ainda mais após a instalação de um terminal de movimentação de celulose. Furtado quer que a Prefeitura faça um acordo com a empresa para oferecer um sinal de qualidade aos moradores.

À Reportagem, o parlamentar alerta que o problema se estende para toda Área Continental de Santos, inevitavelmente atingindo muitos mais estudantes. Segundo a Prefeitura, 816 alunos estão matriculados na rede municipal de ensino: 14 na UME Ilha Diana; 228 na UME Judoca Ricardo Sampaio, 414 na UME Noel Gomes Ferreira, e 160 na UME Monte Cabrão.

"A internet fornecida é um lixo. Para toda a estrutura pública de Caruara, por exemplo, são fornecidos dois megas. Só na escola do Estado tem quatro. E estação da Sabesp tem seis. Conversei com o secretário de Gestão de novo e ele me disse da possibilidade de aumentar para 10 megas", desabafa. Ele tenta recorrer às contrapartidas das empresas que se instalaram na Área Continental no sentido de equacionar a questão.

Ainda o portal

Ainda conforme portal da Prefeitura, a cultura digital se traduz como uma das competências essenciais da base curricular. "A cultura digital tem foco na construção de espaços promotores da educação digital, apostando na integração de todos os espaços e tempos. O ato de ensinar e aprender acontece indissociável, mesclando as possibilidades oferecidas física e digitalmente. Nossa rede tem por objetivo incorporar o uso das tecnologias digitais nas práticas desenvolvidas no ambiente escolar e fora dele, para que o estudante atinja seus objetivos de desenvolvimento e aprendizagem".

Prefeitura

A Prefeitura garante que está realizando edital de licitação para aumentar em cinco vezes a capacidade de internet para todos os próprios públicos que não são atendidos pelo Programa Santos Conectada (fibra óptica), incluindo os prédios localizados na Área Continental. "Esta licitação foi impugnada recentemente e o Município está retomando o certame com as adequações necessárias para viabilizar o aumento de capacidade de internet", inclusive da Ilha Diana, citada pela Reportagem.

A Secretaria de Educação de Santos (Seduc) informa que o ensino remoto não se resume apenas à oferta de aulas ou conteúdos digitais.

"Há também outras ações, entre elas a oferta de materiais impressos, com o mesmo teor e intencionalidade pedagógica, para que todos os estudantes com dificuldade de acesso ou sem acesso à internet possam acompanhar as aulas.


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