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A gerente de implementação do Itaú Social, Tatiana Bello
A gerente de implementação do Itaú Social, Tatiana Bello
Foto: Patricia Stavis

Valorização da escola é o maior legado da pandemia para a educação

Para especialista, maior envolvimento da família e a inserção da tecnologia também são pontos positivos deixados pelo ensino remoto em 2020

A pandemia do novo coronavírus ainda não acabou, mas ela já deixou algumas lições. Segundo especialistas, neste ano tão atípico e desafiador, ciência e informação, por exemplo, foram setores que se valorizaram. O mesmo ocorreu com a educação, conforme explica a gerente de implementação do Itaú Social, Tatiana Bello.

“Foi um ano muito difícil na área de educação. Ao longo do ano, fomos muito desafiados, sobretudo os professores. Mas, entendemos que a escola se valorizou, as pessoas entenderam a importância da escola como espaço educativo, bem como a importância do professor, da convivência das crianças e adolescentes neste espaço.”

A opinião de Tatiana vai de encontro com uma pesquisa divulgada em novembro pelo Datafolha. Encomendada pela Fundação Lemann, Itaú Social e Imaginable Fututres, o levantamento aponta que 71% dos pais ou responsáveis de estudantes das redes públicas municipais e estaduais do País valorizam mais o professor depois da pandemia, número que sobe para 75%, quando considerado somente os pais de estudantes dos anos iniciais de ensino.

A atendente da área de telefonia, Kelli Andrade Marinho, de 42 anos, é uma dessas mães que, após 2020, acredita mais no poder da escola. Mãe de Hugo, 7 anos, e Bryan, 17, ambos estudantes de escolas públicas em Bauru, no interior do Estado, ela acredita que o papel do professor é fundamental para o sucesso do processo de ensino. “Este ano foi muito cansativo e estressante. Meu filho mais novo teria aprendido muito mais com o professor ali presente, na escola. Minha esperança é que saia a vacina e ele possa voltar à escola para aprender de verdade.”

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Kelli e os filhos Hugo e Bryan

Ganhos e perdas
Além da valorização do professor, Bello aponta a maior participação da família no processo de aprendizagem e a inserção da tecnologia como outros pontos positivos que devem ser deixados pela pandemia. “Olhando do ponto de vista de balanço, houve um aprendizado muito grande das redes, dos professores, no que diz respeito à tecnologia, além disso, é positivo também perceber a maior participação da família”, diz.

Por outro lado, lembra a especialista, a pandemia escancarou ainda mais as desigualdades sociais, bem como aumentou o desafio das escolas em manter os alunos envolvidos. Situação vivida de perto pelo bancário Gustavo Ortiz Salema, 46 anos, pai de Clara, 11, e Ian, 5. “Eu percebi meus filhos desmotivados, não foi o mesmo rendimento de outros anos. Minha filha, por exemplo, nunca havia ficado de recuperação e este ano ficou.”

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O bancário Gustavo e a família

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2021
Na opinião de Bello, escolas e redes devem levar em consideração os desafios enfrentados em 2020 na hora de planejar o ano letivo de 2021. “Ganhamos experiência e aprendizado e é importante que possamos olhar para 2021 fazendo escolhas pedagógicas que levem em considerações todos os s desafios postos em 2020. A situação não está totalmente definida para o próximo ano, provavelmente, devemos seguir com o ensino híbrido. É preciso ter um arranjo para que haja um retorno gradual”, diz.

Procurada a Secretaria Estadual da Educação aponta que o ensino híbrido realmente será o caminho para o ano de 2021. “É importante ressaltar que a tecnologia jamais irá substituir o presencial, mas, certamente, ela deve somar em 2021, com o ensino híbrido tendo um papel muito importante o ano que vem”, finaliza a coordenadora do Ensino Integral e do Centro de Mídias SP, Bruna Waitman.

 

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