MPF alerta que programa de escola cívico-militar em São Paulo é inconstitucional

Representação foi destinada ao PGR, Paulo Gonet, para analise da inconstitucionalidade do projeto

Escolas cívico-militares: governo de SP tem 10 dias para explicar projeto ao STF

Escolas cívico-militares: governo de SP tem 10 dias para explicar projeto ao STF | Divulgação/pmt

Na última quinta-feira (6), a Procuradoria dos Direitos do Cidadão, órgão ligado ao Ministério Público Federal (MPF), publicou uma representação alertando que a lei que institui o Programa Escola Cívico-Militar em São Paulo não atende ao modelo de educação previsto na Constituição.

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O Projeto de Lei Complementar 9/2024, que cria o Programa Escola Cívico-Militar proposto pelo governador Tarcísio de Freitas, foi aprovado no dia 21 de maio pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O projeto prevê adoção do modelo militar nas escolas civis públicas estaduais e municipais do estado de São Paulo.

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Nicolao Dino, afirma que o projeto do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) “afronta os princípios da liberdade de pensamento e da gestão democrática das escolas” e “cria atribuições para a força militar estadual que não estão previstas na Constituição”. A representação foi destinada ao Procurador Geral da República, Paulo Gonet, o procurador federal dos Direitos do Cidadão.

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Ainda no texto, há o argumento que o legislativo paulista “não tem atribuição” para decidir sobre esse assunto, e o projeto “invade a competência da União para legislar sobre normas gerais relacionadas às diretrizes e bases da educação nacional”.

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Nicolao Dino solicitou que Gonet analise a inconstitucionalidade da lei complementar, que formaliza o projeto. Como Procurador-Geral, Gonet tem o poder de propor ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) ao Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por julgar esses casos.

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Escola Cívico-Militar

O programa prevê que pais de alunos e professores sejam ouvidos para definir sobre a transformação da instituição em escola cívico-militar com policiais militares da reserva atuando na disciplina e no civismo, sem impacto na parte pedagógica.

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As unidades educacionais do programa poderão ser implantadas em prédios escolares já existentes ou em novas, de forma gradual. Além das escolas estaduais, municípios também poderão aderir à iniciativa do governo paulista.

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A implantação do novo modelo não exclui nenhum programa da Secretaria de Educação em andamento nas escolas. A proposta é complementar as ações pedagógicas da Seduc e visa compartilhar com os estudantes valores como civismo, dedicação, excelência, honestidade e respeito.

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A Educação de SP será responsável pelo currículo das unidades cívico-militares e a formação de professores. Caberá à Secretaria da Segurança Pública a indicação dos policiais militares da reserva que atuarão como monitores nessas unidades de ensino, pelo desenvolvimento de atividades extracurriculares na modalidade cívico-militares, organização e segurança escolar.

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A nova legislação prevê um processo seletivo dos policiais da reserva que atuarão no programa e o pagamento de seus salários por parte da Educação. Será ao menos um PM por escola. No caso de escolas municipais, a Segurança Pública colabora com as prefeituras e a seleção fica a critério das secretarias municipais.