Pais criam bonde das bicicletas para levar crianças à escola

Grupo passa pela Vila Buarque, Santa Cecília e Higienópolis, na região central de São Paulo

Todo o caminho é acompanhado por ao menos dois responsáveis, um que fica na frente guiando a turma e outro atrás, coordenando o grupo

Todo o caminho é acompanhado por ao menos dois responsáveis, um que fica na frente guiando a turma e outro atrás, coordenando o grupo | Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas

Faça chuva ou faça sol, todos os dias de semana um grupo de crianças sai em fila usando suas bicicletas para ir à escola.

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O bonde formado por estudantes em bikes coloridas, capacetes e mochilas nas costas chama atenção de vizinhos e comerciantes de Vila Buarque, Santa Cecília e Higienópolis, na região central de São Paulo, e não é raro que os alunos sejam aplaudidos e arranquem um sorriso por onde passam.

“Tem alguns que esperam para ver a gente passar e param na janela”, conta o arquiteto Pedro Nitsche, um dos responsáveis pela iniciativa. O projeto que leva e traz as crianças foi pensado por ele e a ex-mulher, a também arquiteta Suzana Barboza, com quem ele tem dois filhos, e um casal de vizinhos, que tem outras três crianças.

No início, eles levavam os filhos para a escola a pé, mas era comum que a criançada reclamasse durante a caminhada. “Moramos perto do colégio, mas não tanto a ponto de ir a pé sem reclamação. Sempre foi uma dificuldade”, lembra ele.

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Os quatro adultos costumavam fazer um rodízio para levar grupo para a escola, que fica a pouco mais de um quilômetro de distância da casa deles. No ano passado, nos dias liderados para os pais, as crianças iam às vezes de patinete e bicicleta. Foi assim que elas passaram a se animar com a ideia de pedalar.

“Isso foi um incentivo para a gente também ingressar na bike”, afirma Suzana Barboza. Assim, crianças e adultos acompanhantes adotaram a modalidade diariamente para seu trajeto. A iniciativa chamou a atenção de outros pais que viam a comitiva chegando ao colégio. O grupo cresceu e hoje contra quatro famílias e oito crianças, entre 7 e 10 anos –há dias em que o bonde é maior.

Todo o caminho é acompanhado por ao menos dois responsáveis, um que fica na frente guiando a turma e outro atrás, coordenando o grupo –Nitsche afirma que o ideal é ter um terceiro adulto para o caso de algum problema com a bicicleta, como uma correia que emperra no meio do caminho.

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As crianças são orientadas a parar em toda esquina até que um adulto diga se elas podem continuar o trajeto. Além disso, buzinam quando passam por garagens para avisar que estão por ali e tomam cuidado com os pedestres.

”Notamos que tudo que a gente combinava com eles era obedecido e que elas tinham muita responsabilidade”, conta Barboza.

Nos dias de chuva, os pequenos continuam preferindo ir de bicicleta com capa. O colégio onde estudam, o Equipe, também disponibilizou uma vaga da garagem para que guardar os veículos, que também são usados na volta para casa no fim do dia.

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“A escola não tem uma ampla área verde e livre, mas por ter abraçado a iniciativa proporciona que eles tenham uma vivência da cidade e do bairro que é muito rica”, diz Barboza.

Nitsche reconhece ser um privilégio conseguir levar os filhos para a escola e também viver próximo do colégio e afirma que a iniciativa é uma forma de conscientizar a criançada sobre o uso do espaço público.
“Sempre achei que tínhamos que usar mais a rua, que está muito inóspita”, diz o arquiteto. “As crianças estão crescendo vendo essa possibilidade de usar menos o carro. Isso nos motiva a tentar mudar a mentalidade e entender que é a bicicleta é um veículo não só de uso de fim de semana.”

Dicas para levar crianças de bicicleta para escola  

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– É importante que os grupos sejam pequenos. “Isso é uma condição de segurança. Quando começa a ficar muito grande, é fácil perder o controle. Demora para atravessar a rua”, alerta Suzana Barboza   

– Antes de sair de casa, é preciso reforçar com as criança as regras serem cumpridas durante o trajeto   
– Os equipamentos precisam estar em boas condições   

– Equipamentos de segurança, como capacetes, buzinas e luzes para a noite, são essenciais. “É preciso muito cuidado com carros. Vivemos em uma cidade que a educação do trânsito não é muito difundida. As pessoas que estão de carro muitas vezes não ligam para quem não está”, alerta.