Primeira curadora indígena do Masp pede demissão após veto de fotos em exposição

A primeira curadora indígena num museu brasileiro, Sandra Benites, pediu demissão após o museu vetar fotografias do Movimento Sem Terra e de movimentos indígenas

A entidade sindical patronal solicitou, ainda, a inclusão da faixa de faturamento do regime tributário do lucro presumido ao Simples Nacional

O MASP Museu de Arte de São Paulo | Rafael Neddermeyer / Fotos Públicas

A primeira curadora indígena num museu brasileiro, Sandra Benites, pediu demissão do Masp após o museu vetar um conjunto fotografias do Movimento Sem Terra e de movimentos indígenas. O material faria parte do núcleo que ela e Clarissa Diniz comandavam dentro da mostra “Histórias Brasileiras”, a maior exposição do Masp neste ano.

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Na justificativa da saída ao museu, Benites reforçou um descontentamento geral com a posição que ocupava, já que não se sentia convidada a integrar projetos curatoriais do espaço. “Histórias Brasileiras” seria o primeiro projeto assinado por ela após três anos no cargo de curadora-adjunta.

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Além disso, ela disse à instituição que sua presença no Masp parecia estar mais a serviço de uma imagem de um museu diverso e plural do que um interesse em seu trabalho propriamente.

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Ao jornal Folha de S.Paulo, a curadora afirma que ainda não deve comentar o pedido de demissão em detalhes, mas ressalta que “entrou pelo mesmo motivo que saiu”. “Aceitei o convite para poder somar com o que já foi construído. Para mim não faz sentido que eu continue sem poder ampliar o debate.”

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Foi no começo deste mês que Benites e Clarissa Diniz, curadora convidada da instituição, informaram que cancelariam o núcleo denominado “Retomadas” após o veto da instituição a um conjunto de fotografias.

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O museu afirma ter recebido a relação desse material com pouco menos de três meses de antecedência da abertura da mostra, o que extrapola os prazos para a execução de procedimentos como a solicitação do empréstimo das obras e a cessão do uso de imagens.

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O padrão do Masp é de quatro a seis meses, e essa informação constava no contrato das curadoras, dizem representantes do museu, acrescentando ainda que o prazo foi reiterado a elas numa reunião.

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“No entanto, o museu conseguiu atender sim um dos pedidos das curadoras, de maneira excepcional, para incluir as obras pertencentes ao acervo do Movimento Sem Terra, um total de sete cartazes e documentos. O que não foi possível incluir foram seis fotografias de três fotógrafos. Embora esse material representasse o eixo central do núcleo, ele foi entregue ao museu fora do prazo”, acrescentou a instituição.

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As curadoras afirmam, no entanto, que não foram informadas sobre essa data máxima definida pela instituição. No email enviado aos artistas, as curadoras afirmaram que “apesar do cuidadoso trabalho realizado, para a nossa surpresa, o Masp não concordou com a integral inclusão da representação das ‘Retomadas’ pelo suposto descumprimento de um prazo que não nos foi informado pela produção ou pela curadoria do museu”.

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Ambas se posicionaram também nas redes sociais após o caso se tornar público, reforçando que não foram informadas deste prazo.

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O Masp não quis comentar o pedido de demissão de Sandra Benites.