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ECONOMIA

Renda dos paulistas é a pior em 10 anos e população de rua cresce

Pesquisa divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE revela também que a desigualdade social cresceu em São Paulo em 2021

Joe Silva

Publicado em 10/06/2022 às 13:19

Atualizado em 10/06/2022 às 14:06

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Pessoas em situação de rua / Arquivo/Agência Brasil

O rendimento médio mensal domiciliar por pessoa em São Paulo caiu 4,97% em 2021 e passou de R$ 3.056 em 2020 para R$ 2.904. Este é o menor valor da série histórica, iniciada em 2012, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua: Rendimento de todas as fontes 2021, divulgada nesta sexta-feira (10) pelo IBGE.

A queda na renda observada no estado de São Paulo acompanhou os índices nacionais. Em todo o território brasileiro houve variação negativa de 6,9% no rendimento mensal em 2021. Os ganhos médios dos brasileiros passaram de R$ 1.454 em 2020 para R$ 1.353 no ano passado.

 

Pesquisa Nacional porr Amostra de Domicílios Contínua 2012/2021

 

“Esse resultado é explicado pela queda do rendimento médio do trabalho, que retraiu mesmo com o nível de ocupação começando a se recuperar, e também pela diminuição da renda das outras fontes, exceto as do aluguel”, explica Alessandra Scalioni, analista da pesquisa.

 

Desigualdade cresce

O estudo também mostra a desigualdade de renda no País em 2021. Após relativa estabilidade em 2019 (0,544) e queda em 2020 (0,524), o índice de Gini do rendimento médio mensal domiciliar por pessoa aumentou em 2021, voltando ao patamar de dois anos antes (0,544). Quanto maior o Gini, maior a desigualdade.

Entre 2020 e 2021, a desigualdade aumentou em todas as regiões, sobretudo no Norte e no Nordeste. Alessandra Scalioni explica: “São regiões onde o recebimento do auxílio-emergencial atingiu maior proporção de domicílios durante a pandemia de COVID-19 e que, por isso, podem ter sido mais afetadas com as mudanças no programa ocorridas em 2021”. 

No estado de São Paulo, o índice de Gini também caiu entre 2020 e 2021, passando de 0,522 para 0,533 no levantamento mais recente. 

População de rua aumenta na capital paulista

A piora na desigualdade social observada no território paulista se reflete no aumento da população em situação de rua na Capital. De acordo com um estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais, somente nos cinco primeiros meses de 2022 5.039 pessoas foram viver nas ruas da cidade mais rica do País.

Além disso, o estudo mostra que 42.240 pessoas não têm um teto para morar na cidade de São Paulo. No Brasil, mais de 180 mil pessoas moram na rua. 

O levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (POLOS-UFMG) contrasta com informações fornecidas pela Prefeitura de São Paulo. De acordo com a gestão Ricardo Nunes (MDB), a população sem endereço é de 32 mil pessoas na capital (30% menos do que o levantado pela Universidade).

Ainda na capital paulista, 68% das pessoas em situação de rua são negras, 87%, homens, e a maioria com idades entre 18 a 59 anos, com o ensino fundamental incompleto. 

"A população em situação de rua especialmente no brasil ela é uma população majoritariamente negra. A relação entre o fenômeno da população de rua e séculos de escravidão, e de um racismo estrutural, estruturado, um racismo estrutural instaurado no nosso país ela é muito nítida", explicou André Dias, coordenador do POLOS/UFMG ao "g1".

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