O dia 12 de março comporta parte da Semana Nacional do Animal, movimento do Ministério do Meio Ambiente com o objetivo de construir a agenda estratégica da causa animal para o período 2026–2030.
Mesmo assim, as notícias quanto a segurança da fauna brasileira continuam preocupantes: Apenas um em cada 10 animais sobrevive a todas as etapas do tráfico para chegar ao consumidor final: é o que diz o Relatório Sobre o Tráfico de Animais Silvestres na Amazônia Brasileira produzido pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas).
Segundo o artigo, existem 20 municípios brasileiros com maior incidência de capturas, dentre eles Barcelos (AM), e Santa Isabel do Rio Negro (AM), onde o foco maior são os peixes ornamentais, enquanto em Altamira (PA) a preferência é por aves e répteis.
No entanto, o real destaque é a região amazônica, palco e epicentro da captura e contrabando de espécies exóticas, muitas vezes destinadas ao mercado internacional ou a colecionadores.
Além disso, o documento destaca as demais espécies mais visadas, como serpentes, sapos e aracnídeos; em conjunto, o relatório joga luz às principais rotas e estrutura da rede de tráfico, denunciando um problema grave que se difunde cada vez longe dos holofotes do olhar do público.
Esse relatório é o mais recente produzido pela ONG, divulgado nesta sexta-feira (17/3), que acompanha as atividades criminosas desde 2001.
Magnitude do mercado ilegal
Estima-se que cerca de 38 milhões de animais silvestres sejam retirados anualmente da natureza brasileira, número que evidencia a extensão do tráfico e a pressão contínua sobre a fauna do país.
A operação desse mercado envolve desde a captura na natureza até a distribuição para compradores finais, movimentando valores significativos e abastecendo tanto o comércio interno quanto o internacional, com espécies raras ou exóticas despertando grande interesse de colecionadores.
Sendo assim, a magnitude do mercado ilegal é reforçada pelo histórico de impunidade e pela dificuldade de fiscalização em áreas de difícil acesso, especialmente na floresta amazônica, onde o controle ambiental enfrenta desafios logísticos e estruturais.
Espécies mais visadas na Amazônia
A Amazônia é amplamente conhecida por seu turismo, tendo escondida do grande público a “Caribe brasileira” ou “Caribe Amazônico. No entanto, na região amazônica, aracnídeos, serpentes, sapos peçonhentos, aves e peixes ornamentais são os grupos mais afetados pelo tráfico de animais silvestres.
A diversidade e a abundância da fauna local aumentam o interesse do tráfico, colocando pressão constante sobre espécies que já enfrentam ameaças naturais e mudanças ambientais.
Os animais capturados frequentemente sofrem durante o transporte em condições inadequadas, e a combinação de alta demanda, mortalidade elevada e exploração contínua compromete a estabilidade das populações locais.
Além disso, o comércio clandestino pode gerar impactos ecológicos em larga escala, como desequilíbrio de cadeias alimentares e redução de espécies-chave nos ecossistemas.
Impacto ambiental irreversível
Além do comportamento natural da fauna local já ser afetado por intempéries da natureza como as grandes cheias, a retirada constante de animais da natureza interfere de forma direta e profunda no equilíbrio dos ecossistemas, alterando relações predador-presa e funções ecológicas essenciais para a manutenção da biodiversidade.
Populações em declínio podem levar à extinção local de algumas espécies, com consequências irreversíveis para a flora e fauna.
O tráfico também aumenta a probabilidade de surgimento e disseminação de novas zoonoses, expondo comunidades humanas a riscos sanitários ainda pouco estudados.
Com isso, a pressão sobre determinadas espécies compromete programas de conservação e manejo sustentável da fauna, dificultando o trabalho de órgãos ambientais e organizações não governamentais que atuam na proteção da biodiversidade.
Como denunciar e a legislação vigente
Captura, transporte ou comercialização de animais sem autorização constitui crime ambiental, sujeito a penalidades previstas na lei de crimes ambientais.
Cidadãos podem relatar casos suspeitos aos órgãos de fiscalização ambiental, sendo a Linha Verde do Ibama um canal acessível e eficiente para receber informações sobre comércio ilegal, tanto pela internet quanto em feiras.
A participação da população é fundamental para fortalecer a fiscalização, identificar rotas de tráfico e proteger espécies ameaçadas, contribuindo para a preservação da fauna brasileira e para o combate a atividades criminosas que ameaçam a biodiversidade nacional.


