A cidade onde o Sol não se põe por 84 dias e o corpo precisa reaprender a dormir

Claridade constante pode confundir o relógio biológico, atrasar o sono e obrigar moradores a criar uma "noite artificial" dentro de casa

Em Utqiagvik, o sol da meia-noite pode aparecer baixo no horizonte mesmo durante a madrugada, criando a sensação de que o dia nunca termina

Em Utqiagvik, o sol da meia-noite pode aparecer baixo no horizonte mesmo durante a madrugada, criando a sensação de que o dia nunca termina | Pexels

Nem todo pôr do sol é garantido. Em algumas partes do planeta, ele simplesmente desaparece do calendário por semanas, como se o dia tivesse decidido não terminar.

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Em Utqiagvik, no Alasca, moradores vivem um período de 84 dias sem anoitecer, com o próximo pôr do sol previsto apenas para 2 de agosto. O fenômeno é conhecido como sol da meia-noite e acontece em regiões próximas ao Círculo Polar Ártico.

A cena parece bonita para quem vê de fora. Mas, para o corpo humano, a ausência de escuridão pode bagunçar sinais importantes ligados ao descanso.

O corpo precisa da noite?

A luz é uma das principais pistas usadas pelo organismo para entender a hora de ficar acordado ou dormir. Quando anoitece, o corpo tende a aumentar a produção de melatonina, hormônio associado ao sono.

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Com claridade constante, esse processo pode ficar menos evidente. Na prática, o cérebro recebe sinais de que ainda é dia, mesmo quando o relógio já marca madrugada. Por isso, algumas pessoas sentem mais dificuldade para pegar no sono.

O relógio biológico fica confuso

O chamado relógio biológico regula funções como sono, temperatura corporal, fome e nível de alerta. Ele não depende apenas do horário no celular, mas também da luz que chega aos olhos.

Luz forte à noite pode atrasar o ciclo do sono, fazendo a pessoa sentir sono mais tarde e acordar mais tarde. Já a luz da manhã ajuda a adiantar esse ciclo e reforça a sensação de despertar.

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Por isso, em lugares com sol durante a madrugada, moradores precisam criar estratégias para convencer o corpo de que a noite chegou.

A combinação de água, montanhas e sol baixo ajuda a explicar por que o sol da meia-noite virou um dos fenômenos naturais mais fotografados do Ártico (Foto: Pexels)

Como moradores conseguem dormir?

Uma das soluções mais comuns é transformar o quarto em um ambiente escuro. Cortinas blackout, máscaras de dormir e rotina fixa ajudam a reduzir a entrada de luz e dão ao cérebro um sinal mais claro de descanso.

Além disso, diminuir luzes fortes antes de dormir também pode ajudar. Evitar claridade intensa nas horas próximas ao sono é uma recomendação importante para quem já tem dificuldade para adormecer.

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Mesmo assim, a adaptação varia de pessoa para pessoa. Moradores acostumados ao fenômeno tendem a lidar melhor com a mudança do que visitantes que chegam sem preparo.

A luz também afeta o humor?

Sim, mas de formas diferentes. A exposição à luz pode aumentar a sensação de alerta e energia, o que ajuda em alguns momentos. Ao mesmo tempo, quando o sono piora, o humor e a disposição também podem sofrer.

A luz recebida pelos olhos envia sinais ao cérebro capazes de interferir na produção de melatonina. Por isso, excesso de claridade no horário errado pode atrapalhar o descanso.