Cobra que ‘enxerga’ no escuro surpreende cientistas e muda o que sabemos sobre evolução

Encontrada em Mianmar, a víbora-de-fosseta de Ayeyarwady parecia híbrida, mas tem uma linhagem própria

A aparência verde e arborícola ajuda a explicar por que a nova espécie chamou tanta atenção dos pesquisadores

A aparência verde e arborícola ajuda a explicar por que a nova espécie chamou tanta atenção dos pesquisadores | Pexels

Uma descoberta biológica em Mianmar confundiu os cientistas e pôs em xeque alguns conhecimentos desta área. A protagonista deste caso é a serpente víbora-de-fosseta de Ayeyarwady, espécie identificada há pouco tempo no país do Sudeste Asiático.

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Biólogos acreditavam que a origem deste tipo de cobra vinha da junção genética de outras espécies; porém, um estudo comandado pela University of Kansas Biodiversity Institute and Natural History Museum comprovou a independência da nova serpente.

Características da espécie recém-descoberta

Essa espécie se caracteriza por possuir uma cor verde brilhante, manchas em seu corpo e olhos escuros. Ela possui orifícios entre essas estruturas e as narinas, chamados de fossetas loreais.

Esses órgãos funcionam como sensores infravermelhos, permitindo que a serpente “enxergue” o calor de pequenos mamíferos e aves, facilitando a caça na escuridão total.

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Ela passa grande parte do tempo em árvores e arbustos, usando sua cauda preênsil para se segurar nos galhos. Essa espécie possui dimorfismo: as fêmeas tendem a ser maiores e mais robustas que os machos.

Além disso, a víbora-de-fosseta de Ayeyarwady é uma cobra peçonhenta que possui um veneno capaz de afetar o sangue e os tecidos das vítimas, entretanto, não há constatações de como essa substância pode atacar os humanos.

Originada do hibridismo?

A confusão com a origem da serpente decorreu de semelhanças com outras duas espécies de serpentes comuns na região. Isso se deu por compartilhar características com essas outras cobras.

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A sua cor verde intensa e a presença de manchas escuras ao longo de suas costas também podem ser observadas em espécimes da víbora-de-cauda-vermelha e da víbora-dos-manguezais, respectivamente.

Isso levou os biólogos responsáveis pelo estudo da região a acreditarem que a víbora-de-fosseta de Ayeyarwady se tratava de uma população híbrida, oriunda do cruzamento genético entre essas duas espécies.

Independência genética e fatores únicos

Essa hipótese foi descartada após análises mais minuciosas dos pesquisadores. A partir do sequenciamento do DNA de espécimes da víbora-de-fosseta de Ayeyarwady, os cientistas constataram que se tratava de um animal com linhagem própria.

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Os cientistas ficaram intrigados com a possibilidade de a serpente ser, ao mesmo tempo, parecida e diferente de suas espécies irmãs. “Acreditamos que, em algum ponto do passado, a nova espécie possa ter trocado genes com suas semelhantes”, explica Chan Kin Onn, líder da pesquisa, em entrevista ao SciTechDaily.

A pesquisa também serviu para demonstrar que os indivíduos desta população podem apresentar variações físicas quando comparados uns aos outros. Certos grupos podem ter um tom esverdeado mais escuro e com manchas, enquanto outros podem ser mais claros e sem nenhuma parte escurecida.