Adriana gasta 5h por dia para trabalhar e revela por que não faz nada

O trajeto vira parte do trabalho e do salário de uma cozinheira que cruza a região metropolitana até o centro da Cidade do México

Entre aluguel mais barato e emprego melhor pago, ela troca de ônibus, teleférico e metrô, e chega em casa tarde, com pouco tempo para dormir.

Entre aluguel mais barato e emprego melhor pago, ela troca de ônibus, teleférico e metrô, e chega em casa tarde, com pouco tempo para dormir. | Reprodução/Youtube/El Pais

Adriana Abigail Quintana Torres acorda às 5h30 e sai antes do sol. Ela cruza a região metropolitana até o centro da Cidade do México e só volta para casa perto das 22h, depois de enfrentar horas de transporte público.

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Ela trabalha 46 horas por semana no Mercado Hidalgo, no distrito de Cuauhtémoc. Para chegar lá, faz quatro baldeações e soma cinco horas diárias no deslocamento, numa rotina que também se repete para milhões de pessoas.

No fim do dia, o cansaço já começa antes do fogão acender. Entre filas, lotação e atrasos, ela tenta proteger o horário, o corpo e o pouco sono que sobra para o dia seguinte. O texto contém informações do jornal El País.

O dia começa no escuro e na pressa

Ela lava o rosto, arruma a mochila e sai agasalhada ainda de madrugada. A rua escura pede atenção, e qualquer atraso no início do caminho vira efeito dominó nas conexões seguintes.

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Mesmo quando o trajeto encaixa, o relógio aperta. Ela segue com a sensação de que precisa “ganhar tempo” o tempo inteiro, porque a margem de erro é pequena para quem depende de várias trocas.

A mexicana sequer conta os gastos monetários com transporte.

Porque ela não mora mais perto do trabalho

Em Ayotla, Adriana vive em um cortiço e explica a escolha sem rodeios. “Moro aqui a vida toda”, diz, ao falar do bairro onde se sente parte do lugar e onde construiu a própria rotina.

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Depois da separação, os filhos, hoje com 16 e 21 anos, ficaram com o pai. “Escolhi ficar nesta região por causa dos meus filhos, para poder vê-los e estar perto deles”, afirma.

Aluguel barato, distância cara

A conta do aluguel empurra a decisão para longe do centro. No coração da cidade, os empregos pagam melhor, mas o aluguel sobe; em Ayotla, ela paga 1.500 pesos e consegue manter o teto.

Em troca, ela paga com tempo. O caminho longo entra no orçamento e no corpo, e o deslocamento vira uma segunda jornada diária, ainda antes do trabalho começar e depois que ele termina.

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Micro-ônibus e o medo que acompanha

Às 6h, Adriana pega um mototáxi por sete pesos até a avenida principal. É um trajeto curto, mas a cartilagem do joelho em mau estado limita o esforço e reduz a chance de dor no caminho.

Às 6h06, ela entra no micro-ônibus e segue em alerta. “É o fato de sair de casa de madrugada e a possibilidade de encontrar alguém que queira te assaltar”, diz, lembrando o irmão ferido por causa do celular.

Teleférico, mudanças de rota e metrô lotado

Depois de chegar a Santa Marta, ela troca de modal e segue no teleférico. O percurso já mudou por obras, porque três estações da Linha 9 ficaram fechadas, e isso altera rotas de quem depende do sistema.

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Às 6h40, ela tenta descansar, mas a tensão não some. “Tento dormir. Não consigo, mas fecho os olhos porque tenho medo de altura”, conta, ainda assim escolhendo o caminho mais curto.

Chegada ao trabalho e a volta que ainda espera

Na Linha 8, filas e empurrões definem o embarque, e ela prefere o vagão reservado para mulheres e crianças. Em alguns dias, ela não entra no primeiro trem e precisa esperar o próximo passar.

Ao desembarcar perto do mercado, a exaustão já pesa. “Chego ao trabalho exausta de tanto ficar em pé”, diz, antes de encarar horas de serviço e, mais tarde, mais tempo de deslocamento até a cama.

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Quando consegue chegar mais cedo, ela nota a diferença. “Hoje fomos mais rápidas do que de costume”, comenta, mas o alívio dura pouco, porque o ciclo recomeça na madrugada seguinte.

No fim, o sono fica fragmentado pela ansiedade do horário. “Às vezes acordo a cada poucos minutos durante a noite pensando que vou me atrasar.”, diz, como quem vive com o relógio sempre ligado.