“Amazing Grace”: a história de redenção por trás do hino que virou símbolo de fé e resistência

Ex-capitão de navio negreiro convertido em pastor, compôs canção cristã que virou símbolo de esperança

A música cristã foi apropriado por comunidades negras, especialmente nos Estados Unidos, como um hino de resistência, esperança e redenção.

A música cristã foi apropriado por comunidades negras, especialmente nos Estados Unidos, como um hino de resistência, esperança e redenção. | Reprodução IA

Muitos não sabem, mas o hino “Amazing Grace” (Graça Maravilhosa) possui uma história interessante por trás da melodia.

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A letra do hino se tornou um símbolo de resistência e esperança para os negros escravizados e seus descendentes. 

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Mas o surpreendente é que um de seus autores foi um capitão de navios negreiros que compôs o hino inspirado em uma experiência pessoal. A qual ele atribuiu o resgate à própria fé.

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Tempestade em alto-mar e o despertar da fé

Em março de 1748, John Newton, então comandante de um navio negreiro britânico, enfrentou uma tempestade que quase afundou sua embarcação. 

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O susto foi tão grande, que marcou o início de uma transformação religiosa em sua vida. Segundo o voluntário do Museu Cowper and Newton, Tim German, a fé cristã que Jonh tinha quando era criança renasceu naquele momento, onde ele pediu a Deus que fosse salvo daquela situação.

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Mesmo depois do susto, Newton ainda participou de mais três viagens antes de abandonar a carreira marítima em 1754, após sofrer uma crise convulsiva.

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De capitão de navio a pastor 

Depois de dez anos, a vida de Jonh Newton mudou quando foi ordenado pastor anglicano e assumiu uma paróquia em Olney, Inglaterra. Lá, tornou-se conhecido pelos sermões e composições religiosas, muitas delas em parceria com o poeta William Cowper.

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Foi durante um culto de Ano Novo, em 1773, que Newton apresentou pela primeira vez as palavras que dariam origem ao hino “Amazing Grace”, publicado anos depois no livro The Olney Hymns com o título original “Faith’s Review and Expectation”.

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Luta pela abolição

O verdadeiro rompimento de Newton com o passado veio em 1788. Quando publicou o panfleto “Thoughts Upon the African Slave Trade”, no qual pedia desculpas e descrevia os horrores da escravidão que havia presenciado. A obra foi amplamente distribuída entre os parlamentares britânicos.

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Newton também atuou ativamente como abolicionista, influenciou e apoiou William Wilberforce, um dos líderes do movimento que proibiu no tráfico transatlântico. Juntos, ajudaram a fundar uma comunidade para libertos em Serra Leoa, na África.

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O impacto de “Amazing Grace” 

Apesar de ter sido escrito por um homem branco envolvido na escravidão, “Amazing Grace” foi apropriado por comunidades negras, especialmente nos Estados Unidos, ficou conhecido como um hino de resistência, esperança e redenção.

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“É muito estranho que tenha sido escrito por alguém que participou do comércio de escravos, mas ele conseguiu expressar algo com o qual muitos negros se identificam”, afirma a reverenda Rose Hudson-Wilkin, mulher negra e bispa da Igreja Anglicana.

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Um legado musical que atravessa séculos

Gravado por artistas como Elvis Presley, Aretha Franklin e Andrea Bocelli, o hino se tornou um fenômeno cultural global. Só na Biblioteca do Congresso dos EUA são mais de três mil gravações registradas.

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Segundo o musicólogo Martin Clark, a força de “Amazing Grace” está na combinação entre letra e melodia. “As ideias de graça, esperança e redenção tocam as pessoas através do tempo”.

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Hoje, a cidade de Olney celebra seu legado com orgulho. Na entrada, uma placa dá as boas-vindas com a frase: “Bem-vindo a Olney, casa de Amazing Grace.”

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*Fonte: BBC