Conheça o avião hipersônico que foi projetado para cruzar o mundo em 4 horas

Aeronave foi desenhada para transportar até 300 pessoas e pode atingir até 6.100 km/h

Projeto do avião LAPCAT A2

O LAPCAT A2 impressiona pelo tamanho: com 139 metros de comprimento, ele é quase o dobro do Concorde e maior que o Airbus A380/Divulgação/Reaction Engines

A aviação comercial busca, há décadas, um substituto que supere o lendário Concorde sem repetir seus erros.

Entre os projetos mais audaciosos já concebidos está o LAPCAT A2, uma aeronave hipersônica capaz de atingir Mach 5 — aproximadamente 6.100 km/h.

Financiado pela União Europeia, o conceito promete reduzir drasticamente o tempo de viagens intercontinentais, como o trajeto entre Bruxelas e Sydney, que poderia ser feito em apenas quatro ou cinco horas.

As dimensões gigantescas do avião hipersônico

O LAPCAT A2 impressiona pelo tamanho: com 139 metros de comprimento, ele é quase o dobro do Concorde e maior que o Airbus A380. Projetada pela britânica Reaction Engines, a aeronave foi desenhada para transportar até 300 passageiros distribuídos em dois andares.

Diferente dos aviões convencionais, o A2 utiliza hidrogênio líquido como combustível. Devido ao enorme volume necessário, o hidrogênio não ficaria nas asas, mas sim em tanques gigantescos dentro da própria fuselagem.

Com um peso máximo de decolagem de 400 toneladas, o projeto figura entre os maiores veículos civis hipersônicos já estudados.

Motor Scimitar: o segredo da velocidade Mach 5

O coração tecnológico desta aeronave é o motor Scimitar. Ele utiliza uma tecnologia de resfriamento avançada para evitar que o calor extremo gerado pela compressão do ar em altíssimas velocidades destrua os componentes internos.

O hidrogênio líquido atua tanto como combustível quanto como fluido refrigerante, resfriando o fluxo de ar antes da combustão.

Essa engenharia permitiria ao avião operar em uma faixa de velocidade superior à do lendário SR-71 Blackbird (que voava a Mach 3), entrando no território dos voos hipersônicos sustentados.

Solução para o ‘estrondo sônico

Um dos principais motivos para o fim do Concorde foram as restrições de voo sobre áreas povoadas devido ao estrondo sônico.

Para contornar esse problema, o LAPCAT A2 foi projetado para realizar suas rotas quase exclusivamente sobre os oceanos.

Essa estratégia tornaria viáveis conexões transoceânicas ultrarrápidas sem impactar acusticamente as cidades.

O futuro que ainda não decolou

Apesar de ser considerado um dos conceitos mais promissores da aviação, o “Concorde gigante” ainda não saiu do papel.

Nenhum protótipo em escala real foi construído, pois ainda restam desafios tecnológicos e comerciais complexos a serem resolvidos.

Mesmo assim, o LAPCAT A2 permanece como uma referência fundamental no setor, mantendo viva a promessa de uma era em que atravessar o planeta será questão de poucas horas, combinando o uso de hidrogênio com velocidades cinco vezes superiores à do som.