Uma descoberta feita por pesquisadores brasileiros pode combater uma das pragas mais destrutivas da soja no País. Cientistas identificaram uma bactéria que é capaz de atacar o percevejo-marrom, inseto responsável por causar prejuízos de até R$ 12 bilhões na agricultura.
O percevejo-marrom ataca diretamente os grãos da soja. O inseto perfura as vagens para se alimentar e acaba comprometendo o desenvolvimento da planta, reduzindo a qualidade e o peso dos grãos.
A descoberta chama atenção porque o manejo do percevejo-marrom se tornou um dos maiores desafios do agronegócio brasileiro, especialmente diante do crescimento recorde da produção de soja nos últimos anos.
O ‘repelente bilionário’
Uma das hipóteses é que a bactéria produza compostos que afastariam o percevejo-marrom. Ou seja, o inseto teria dificuldade de reconhecer a planta como alimento, reduzindo sua presença na plantação.
Algumas bactérias do gênero Bacillus conseguem liberar substâncias que afetam o sistema digestivo ou o desenvolvimento dos insetos, enfraquecendo diretamente a praga sem causar impactos ambientais. O “repelente” funciona como uma forma de proteção biológica.
Outra alternativa seria no tratamento das sementes, fazendo com que a planta já cresça com essa proteção. O grande diferencial nesse modelo é reduzir a dependência de inseticidas químicos. Isso pode diminuir custos no longo prazo e evitar resistência das pragas.
Pequenos vilões além do percevejo-marrom
Cigarrinha-do-milho
A cigarrinha-do-milho virou o maior pesadelo do agronegócio brasileiro. Pequena no tamanho, mas gigante no impacto, ela transmite doenças que fazem o milho perder produtividade e até morrer antes da colheita.
Cigarrinha-do-milho já provoca prejuízos bilionários e preocupa produtores em todo o Brasil (Foto: Agro Bayer)Estudos da Embrapa apontam que a praga causa um prejuízo anual perto de R$ 33,6 bilhões ao Brasil. Entre 2020 e 2024, as perdas acumuladas passaram de R$ 134 bilhões. Além de destruir, ela fez com que os custos com inseticida aumentassem, ficando ainda mais caro.
Lagarta-do-cartucho
A lagarta-do-cartucho também é uma das pragas do milho, mas pode atacar o algodão, soja e outras plantações. Ela recebe esse nome porque costuma se esconder dentro do “cartucho” da planta de milho, onde se alimenta de folhas novas.
As Lagartas-do-cartucho desafiam produtores e elevam custos da agricultura nacional (Foto: Ernani Zimmermann/ Wikimedia Commons)Os prejuízos podem ultrapassar R$10 bilhões por ano, especialmente durante surtos mais severos. Em alguns casos, a produção foi afetada em até 50%. O perigo da lagarta está na velocidade de reprodução. Uma única mariposa pode colocar centenas de ovos, permitindo infestações em poucos dias.
Fatores naturais ajudam eles
Especialistas apontam que mudanças climáticas, temperaturas mais altas e o cultivo frequente, favorecem a sobrevivência desses insetos durante o ano inteiro. O uso repetitivo de inseticidas também acelera a resistência das pragas, tornando o controle mais difícil.
O percevejo-marrom é considerado uma das pragas mais difíceis de controlar porque é adaptável e é capaz de atacar em várias fases da soja. Por isso, qualquer solução biológica gera expectativa entre os produtores e pesquisadores do agronegócio brasileiro.





