Arqueólogos descobrem ‘cápsula do tempo’ de 40 mil anos deixada por neandertais

No Rochedo de Gibraltar, um conjunto de cavernas preserva sinais de adaptação e sobrevivência na pré-história

Câmara isolada por sedimentos por 40 mil anos reforça pistas sobre o cotidiano neandertal

Câmara isolada por sedimentos por 40 mil anos reforça pistas sobre o cotidiano neandertal | Gibmetal77/Wikimedia Commons

Em território britânico no sul da Espanha, no Rochedo de Gibraltar, um conjunto de cavernas guarda pistas raras sobre a pré-história humana.

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Ali, escavações revelaram marcas de vida, morte e adaptação que ajudam a entender como antigos grupos humanos ocuparam essa região ao longo de milênios.

O labirinto revelado

Formado por paredões rochosos e íngremes, o complexo reúne quatro cavernas principais: Gorham, Vanguard, Hiena e Bennet.

Durante muito tempo, a entrada de Gorham era difícil de alcançar. Com a elevação do nível do mar, porém, surgiu uma passagem que hoje permite o acesso pelo próprio Mediterrâneo.

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Vestígios antigos

Embora as cavernas tenham sido identificadas em 1907, as escavações sistemáticas começaram apenas nos anos 1980.

Foi então que os arqueólogos perceberam o quanto aquele espaço era rico em informações sobre o passado humano.

Os indícios apontam atividade humana no local há cerca de 100 mil anos, o que é anterior à chegada do homem moderno à Europa Ocidental.

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Sendo assim, quem eram os habitantes que se comportavam como humanos, mas não eram humanos?

O cotidiano dos neandertais

O período sugere que os ocupantes eram neandertais, uma espécie de “irmão” do Homo sapiens, com quem os humanos modernos (nós) conviveram por algum tempo.

Apesar de não haver esqueletos de neandertais na caverna, a rotina desses grupos aparece preservada no solo.

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Conchas de mexilhões, ossos de peixes, focas e golfinhos foram achados nas cavernas, apontando que houve caça, consumo e descarte desses animais no local.

Marcas nas paredes

Além dos restos de alimento, os pisos mostram linhas cruzadas gravadas na rocha.

Segundo o IFL Science, pesquisadores afirmam que esses traços foram feitos por neandertais há cerca de 39 mil anos.

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Essas inscrições levantam a hipótese de que eles já produziam formas de expressão simbólica, ou seja, o que hoje se chama de “obras de arte”.

Em outras regiões do mundo, incluindo o Brasil, registros semelhantes também alimentam debates sobre quando a arte, o simbolismo e a comunicação visual passaram a fazer parte do comportamento humano.

Fogo e técnica

Na Caverna Vanguard, outro achado reforça a engenhosidade desses grupos. Foi localizada uma lareira de 60 mil anos usada para aquecer alcatrão de bétula.

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Essa substância viscosa servia como uma cola para prender cabos em armas e ferramentas, o que indica domínio do fogo e planejamento técnico.

Uma verdadeira ‘cápsula do tempo’

Em 2021, uma câmara com 13 metros de profundidade foi encontrada na Caverna Vanguard. Ela havia permanecido isolada por sedimentos durante cerca de 40 mil anos.

Dentro estavam restos de lince, hiena, abutre e até um grande caracol marinho comestível levado para o interior da caverna.

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As análises mostram que os neandertais ocuparam a Caverna de Gorham entre 33 mil e 24 mil anos atrás, um intervalo recente em termos da história humana.

Por isso, os cientistas consideram que esses grupos podem ter sido alguns dos últimos representantes da espécie no mundo.