A histórica e controversa casa onde Hitler nasceu, localizada no número 15 da rua Salzburger Vorstadt, na cidade de Braunau am Inn, na Áustria, passou a abrigar oficialmente a nova sede da polícia e do comando distrital local.
A decisão foi tomada pelo governo austríaco para neutralizar o apelo ideológico do imóvel e impedir que o local se tornasse um ponto de peregrinação e encontro para grupos neonazistas.
O projeto de reconversão exigiu uma investimento de aproximadamente 20 milhões de euros (cerca de R$ 116 milhões) e resultou em uma fachada completamente redesenhada e minimalista.
A medida põe fim a um impasse que se arrastava desde 2011, quando o edifício ficou totalmente vago, levando o Estado a expropriar o imóvel em 2016 por razões de segurança e preservação histórica.
Uma transformação milionária para barrar o extremismo
Antes de passar para as mãos do Estado, o imóvel teve múltiplos usos ao longo das décadas, funcionando como biblioteca, escola e oficina de apoio social.
Com a nova diretriz, o Ministério do Interior buscou descaracterizar totalmente a arquitetura original para desestimular a visitação de simpatizantes do antigo regime nazista.
Membros da comissão encarregada de definir o destino do imóvel destacaram que a instalação de uma instituição do Estado democrático de Direito garante a vigilância contínua contra a atividade neonazista. Além disso, a mudança estrutural impede o registro de fotos e conteúdos de apelo ideológico em frente ao prédio.
Por que a escolha de uma delegacia para a casa onde Hitler nasceu virou polêmica?
Apesar do objetivo de neutralização, a destinação do prédio dividiu opiniões entre historiadores e moradores locais. Representantes de iniciativas cidadãs em Braunau am Inn argumentam que o espaço deveria ter sido transformado em um centro voltado à promoção da paz, da democracia e da educação histórica sobre os crimes do nazismo.
Outro ponto levantado por críticos envolve a memória histórica do papel da polícia durante o regime do Third Reich, quando a instituição esteve diretamente ligada à Gestapo e à perseguição sistemática de opositores e minorias. E
m contrapartida, defensores da medida ressaltam que a polícia austríaca atual opera sob os rigorosos princípios de um Estado de Direito e que o proprietário legal, a República da Áustria, adotou a solução mais viável para o local.
