Catetinho: a história da primeira residência oficial de JK em Brasília

Conheça o 'Palácio de Tábuas', o marco zero da capital federal que preserva o legado dos pioneiros e a arquitetura de Niemeyer

O "Palácio de Tábuas" preserva o marco zero de Brasília e a essência da arquitetura pioneira de Oscar Niemeyer.

O "Palácio de Tábuas" preserva o marco zero de Brasília e a essência da arquitetura pioneira de Oscar Niemeyer. | José Cruz / Agência Brasil

Antes do mármore do Planalto e das curvas de concreto da Catedral, Brasília foi um projeto de madeira, poeira e pressa. No topo de uma colina na Fazenda Gama, ergue-se o Catetinho, a primeira residência oficial do presidente Juscelino Kubitschek na nova capital.  

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Batizado em alusão ao Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, o prédio nasceu não apenas como abrigo, mas como o marco zero da interiorização do Brasil.

A construção em dez dias que mudou o Planalto 

Em novembro de 1956, quando o isolamento do Planalto Central era absoluto, o Catetinho surgiu como a resposta estratégica para que Juscelino Kubitschek pudesse acompanhar de perto o nascimento da nova capital.  

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O projeto de Oscar Niemeyer desafiou a lógica da época ao ser erguido em apenas dez dias, utilizando inteiramente o pinho como matéria-prima, o que lhe rendeu o apelido histórico de “Palácio de Tábuas”.  

Com uma estrutura moderna sobre sustentações que preservava a vegetação nativa e a nascente local, o edifício contrastava com a riqueza futura de Brasília por sua natureza modesta.  

Naquele cenário, o presidente despachava entre o ruído das serras e o entusiasmo dos pioneiros, dividindo quartos comuns e o cotidiano prático com os diretores da Novacap. 

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O cotidiano da ‘Cidade livre’ 

Durante os anos de construção (1956-1960), o Catetinho foi o epicentro político do país. Foi ali que JK assinou decretos cruciais e recebeu as primeiras comitivas estrangeiras, que se impressionavam com a austeridade do “presidente operário”. 

O ambiente exalava o espírito da época: as serestas ao luar, o café coado na hora e as reuniões estratégicas que varavam a noite. A simplicidade do local servia como um lembrete constante de que Brasília era uma missão de desbravamento, uma “meta-síntese” do desenvolvimento nacional. 

A preservação e a memória do museu atualmente 

Com a inauguração de Brasília, em 1960, e a consequente transferência da sede do governo para o Palácio da Alvorada, o Catetinho encerrou sua missão administrativa, mas consolidou sua relevância histórica, tendo sido tombado pelo Iphan ainda em 1959.  

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O local funciona como um museu que transporta o visitante diretamente aos anos 50, preservando um acervo fiel que inclui o mobiliário original com camas e objetos pessoais da comitiva, a suíte presidencial mantida com a sobriedade exigida por JK e a cozinha, onde ainda se percebe a atmosfera das refeições compartilhadas pelos pioneiros. 

Hoje, o Catetinho é um refúgio de silêncio em meio à expansão urbana do Distrito Federal. Localizado próximo à região do Park Way e da saída sul, o museu oferece uma experiência de contraste: de um lado, a sofisticação da arquitetura moderna de Niemeyer; do outro, a rusticidade da madeira que deu origem a tudo. 

Visitar o Catetinho em 2026 é entender que Brasília não nasceu do concreto, mas de uma vontade política que aceitou a simplicidade do pinho para viabilizar a grandeza do futuro. O “Palácio de Tábuas” permanece de pé, como uma prova de que grandes sonhos podem começar em pequenas estruturas.