O Brasil pode estar prestes a ver o renascimento — ou o adeus definitivo — de um dos maiores ícones da sua cultura popular.
O Ping Pong, considerado o primeiro chiclete de bola lançado no País, perdeu oficialmente o seu registro de marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e, no momento, encontra-se juridicamente “sem dono”.
Após dominar o País entre os anos de 1970 até o fim dos anos 1990, a marca perdeu espaço no mercado brasileiro.
Ping Pong – o chiclete de bola mais antigo do Brasil
Criado originalmente em 1945 (pela Kibon, segundo registros de negócios, embora a tradição da marca também remeta à Adams), o Ping Pong revolucionou o mercado ao transformar o ato de mascar chiclete em um ritual de coleção.
A estratégia de marketing era infalível:
- Conteúdo colecionável: as figurinhas, que abordavam desde Copas do Mundo até dinossauros e super-heróis, eram o principal motor de vendas.
- Identidade marcante: campanhas televisivas com o slogan “É gostoso e faz bola” fixaram o produto na memória coletiva dos brasileiros.
- Sabores clássicos: além de hortelã e tutti-frutti, a marca experimentou sabores como morango e banana, que se tornaram febres temporárias.
Por que o Ping Pong sumiu?
O declínio começou nos anos 1980 e 90 com a chegada de concorrentes mais modernos, como o Bubbaloo, que introduziu o recheio líquido.
O Ping Pong acabou ficando associado a uma experiência considerada inferior pelos consumidores da época: uma goma mais dura e com sabor que durava pouco tempo.
Nos anos 2000, houve uma tentativa de fusão sob a marca “Ploc-Pong”, mas a estratégia de simplificação de portfólio da então Kraft Foods acabou por absorver e, eventualmente, descontinuar o nome Ping Pong das gôndolas.
Declínio de um gigante
A marca, que já foi onipresente em recreios e bancas de jornal entre as décadas de 1970 e 1990, teve sua caducidade decretada pelo INPI.
A decisão ocorreu porque a última detentora do registro, a multinacional Mondelez, reconheceu que o produto não é comercializado desde 2015.
Pelas leis brasileiras, uma empresa precisa comprovar o uso contínuo da marca para manter sua exclusividade. O vácuo deixado pela Mondelez já despertou o interesse de novos players.
A ASC Brands, empresa que já opera outras marcas de guloseimas, foi a responsável por pedir a caducidade e agora negocia o relançamento não apenas do Ping Pong, mas também do Ploc, outro rival histórico que atravessa situação semelhante no órgão de registros.
Desafio do retorno
Embora a nostalgia seja um forte apelo de vendas, especialistas apontam que o relançamento do Ping Pong enfrentará um cenário hostil.
O mercado de gomas de mascar encolheu devido a mudanças de hábitos saudáveis e à redução do consumo de açúcar.
Além disso, as famosas figurinhas de papel agora precisam competir pela atenção das crianças com as redes sociais e os jogos digitais.
Seja como um item retrô para colecionadores ou como um produto reinventado, o futuro do chiclete que “fazia bola” agora depende mais dos tribunais e de novas estratégias de mercado do que apenas da saudade de quem viveu os anos 1980.



