Cientistas descobrem papel inesperado das baleias no oceano, principalmente das suas fezes

Estudo mostra que dejetos de baleias concentram ferro e podem ajudar a fertilizar o oceano, influenciando o fitoplâncton e toda a cadeia marinha

Baleias parecem operar um papel no nicho ecológico maior do que se esperava deste gigantes

Baleias parecem operar um papel no nicho ecológico maior do que se esperava deste gigantes | Elianne Dipp / Pexels

As baleias figuram entre os maiores animais ainda vivos no planeta Terra, e seu tamanho colossal acarreta processos de igual proporção, incluindo sua capacidade de produzir fezes. Um estudo recente indica que as fezes desses colossos marinhos concentram tantos nutrientes que conseguem agir como fertilizantes para todo o ecossistema marinho.

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Além disso, os pesquisadores apontam a importância desses cetáceos para a manutenção da biodiversidade marinha e como esse papel já foi maior antes da temporada de caça comercial desses animais, que quase levou à extinção de várias espécies.

Fertilizante às toneladas

Pesquisadores da University of Washington analisaram amostras de fezes de baleias-de-barbatana e encontraram altas concentrações de ferro dissolvido. Esse nutriente é essencial para o fitoplâncton, principal base fotossintetizante oceânica, análoga às plantas. A presença desse nutriente é especialmente importante, pois ele costuma ser escasso em áreas relevantes do oceano.

O trabalho também identificou cobre em formas menos tóxicas à vida marinha. Isso chama atenção porque alguns metais podem prejudicar organismos microscópicos, mas, nesse caso, os compostos observados parecem reduzir esse risco químico.

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Segundo os autores, os ligantes orgânicos presentes no material ajudam a manter o ferro mais estável e potencialmente mais disponível. Em outras palavras, a matéria liberada pelas baleias não só carrega nutrientes, como também pode facilitar seu aproveitamento.

Base da pirâmide alimentar

O fitoplâncton forma a base da alimentação de grande parte da vida marinha. Esses organismos microscópicos sustentam cadeias ecológicas inteiras. Alimentam o zooplâncton, que, por sua vez, serve de alimento para pequenos animais como krill, moluscos, corais e peixes de pequeno porte, que então sustentam os demais seres marinhos.

As baleias atuam como grandes agentes dispersores desses nutrientes para a superfície, pois se alimentam em grandes profundidades, onde esses minerais estão mais disponíveis.

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Os cetáceos então retornam à superfície para respirar, onde acabam defecando e liberando os nutrientes próximos da superfície, ambiente em que vive o fitoplâncton, graças à maior disponibilidade de luz. Dessa maneira, os nutrientes fluem de forma orgânica e cíclica pelo ecossistema.

AEsse mecanismo é frequentemente chamado de “bomba das baleias”, mas geralmente ele era avaliado de baixo para cima e não de cima para baixo, como é mostrado no esquema acima (Foto: Roman J, McCarthy JJ / Wikimedia Commons | Tradução feita pelo ChatGPT)

Passado dos oceanos

Os autores afirmam que a descoberta ajuda a revisar o papel ecológico das baleias antes da exploração comercial. Com populações muito maiores no passado, o aporte de micronutrientes na superfície dos oceanos provavelmente era mais intenso.

Isso sugere que a caça baleeira não afetou apenas os próprios animais. Ela também pode ter alterado processos biogeoquímicos importantes, com impacto sobre a produtividade primária, o funcionamento das cadeias alimentares e a dinâmica do carbono no mar.

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asO auge da caça baleeira foi entre os séculos 17 e 20, visando o óleo de baleia, que era a principal fonte energética antes do advento do petróleo (Foto: Wainuiomartian / Wikimedia Commons)

Positivamente, as populações desses animais estão se recuperando lentamente, inclusive por meio do cruzamento entre diferentes espécies e com seus próprios híbridos.

Apontamentos de outros estudos

Um estudo mais recente, publicado em 2025, estimou que baleias-de-barbatana podem aumentar a produção primária em certas áreas oceânicas, sobretudo no verão e em regiões afastadas de outras fontes de nutrientes. O efeito anual médio é modesto, mas consistente.

Já outra pesquisa divulgada no mesmo ano mostrou que grandes baleias transportam nutrientes por milhares de quilômetros, inclusive das áreas frias de alimentação para zonas tropicais e subtropicais. Isso amplia a noção de que elas conectam ecossistemas distantes.

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Assim, a imagem da baleia como peça-chave do oceano deixa de ser apenas simbólica. Cada novo dado indica que esses mamíferos também exercem um serviço ecológico concreto, silencioso e relevante para a saúde dos mares.