Não, você não leu errado. Um grupo de cientistas afirma ter conversado com uma baleia-jubarte pela primeira vez, o que pode abrir caminho para a humanidade se comunicar com extraterrestres em um futuro distante.
A interação aconteceu no sudeste do Alasca em agosto de 2021, e durou cerca de 20 minutos. Durante esse tempo, os pesquisadores conseguiram estabelecer um sinal de “contato” com a baleia e atraí-la para perto do barco.
Contato histórico no Alasca
O mamífero, chamado Twain, teria circulado o barco e retornado um sinal de “saudação”, segundo os pesquisadores. Após o primeiro contato, eles emitiram 36 chamados por alto-falante e a baleia responderia a cada um, variando os intervalos entre os sinais conforme sua própria “linguagem”.
“Acreditamos que esta seja a primeira troca comunicativa entre humanos e baleias-jubarte na linguagem das baleias-jubarte”, afirma Brenda McCowan, professora de neurociência e comportamento da Universidade da Califórnia em Davis e autora principal do estudo. O retorno dos sinais animou a equipe.
Por que isso interessa à busca por vida alienígena
Para o astrônomo Laurance Doyle, a forma como os cientistas interagem com as baleias pode ser parecida com a maneira como potenciais extraterrestres tentariam nos comunicar. Se formas inteligentes de vida usarem sinais não familiares, estudar inteligências da Terra pode ajudar a decifrar mensagens vindas do espaço.
Esse tipo de hipótese ganha força diante de estudos recentes que detectaram possíveis sinais de vida fora da Terra, como a detecção de gases em exoplanetas. Veja por exemplo uma matéria sobre bioassinaturas em planetas fora do Sistema Solar: Vida fora da Terra? Telescópio detecta gás alienígena em exoplaneta.
A experiência com a jubarte também se conecta ao comportamento social desses animais, registrado mesmo no litoral brasileiro. Há relatos recentes de avistamentos e acrobacias de jubartes no litoral de São Paulo como ilustrado nesta reportagem: Baleias-jubarte encantam com acrobacias no litoral de SP em vídeo impressionante.
Acreditar que não estamos sozinhos no universo implica entender que comunicação pode ter formas diferentes da linguagem humana. A experiência com a jubarte é vista como um passo simbólico para ampliar nossa noção sobre “sinal de vida”.
