Cipó-chumbo: conheça a planta ‘vampira’ que ajuda a tratar dores e cicatrizes

Com ação anti-inflamatória e potencial cicatrizante, o cipó-chumbo desperta interesse da ciência apesar da fama de planta parasita

Comum no Brasil, a planta vampira possui compostos associados ao alívio de dores e à recuperação de ferimentos na pele (Foto: Plant pests and diseases/Wikimedia Commons)

Comum no Brasil, a planta vampira possui compostos associados ao alívio de dores e à recuperação de ferimentos na pele (Foto: Plant pests and diseases/Wikimedia Commons)

Os fios amarelados que costumam cobrir árvores e arbustos em diferentes regiões do Brasil podem parecer um ninho à primeira vista. Mas trata-se de uma planta parasita conhecida como cipó-chumbo.

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O gênero Cuscuta possui espécies que dependem de outras plantas para obter água e nutrientes, já que não conseguem produzir seu próprio alimento da mesma forma que a maioria da vegetação.

Por causa dessa característica, o cipó-chumbo é frequentemente considerado um problema em áreas agrícolas.

Ao mesmo tempo, a planta tem atraído a atenção de pesquisadores interessados em suas propriedades medicinais.

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Como a planta ganhou fama de vampira

O apelido de planta vampira surgiu por causa da forma como o cipó-chumbo obtém nutrientes.

Diferentemente da maioria das plantas, ele não possui folhas verdadeiras nem clorofila suficiente para produzir seu próprio alimento.

Por isso, a planta se prende ao caule de outras espécies por meio de estruturas chamadas haustório, que funcionam como pequenos sugadores que retiram água e nutrientes da hospedeira.

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A estratégia permite que a Cuscuta sobreviva em diferentes ambientes. São cerca de 26 espécies registradas no Brasil, distribuídas em biomas como Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado e Pampa.

Efeito contra dores e inflamações

O uso medicinal do cipó-chumbo faz parte da medicina tradicional em várias regiões. A planta é usada há décadas em preparações para aliviar dores, inchaços e desconfortos associados a processos inflamatórios.

Um estudo publicado no Iranian Journal of Basic Medical Sciences verificou que espécies do gênero Cuscuta apresentam grande concentração de flavonoides, incluindo quercetina e kaempferol.

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Essas substâncias ajudam a reduzir mecanismos que estimulam a inflamação no organismo.

Ou seja, os compostos podem colaborar para diminuir dores e edemas, que são os inchaços causados pelo acúmulo de líquidos nos tecidos.

Os pesquisadores apontam que esse potencial farmacológico merece novas investigações para aplicações terapêuticas futuras.

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Potencial cicatrizante também chama a atenção

Outra linha de pesquisa é a capacidade de auxiliar na recuperação da pele. Esse uso já era conhecido na medicina popular antes de ser analisado em laboratório.

Uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Farmacognosia avaliou a espécie Cuscuta racemosa e identificou a presença de taninos, compostos naturais associados à proteção dos tecidos lesionados.

A pesquisa também observou atividade antimicrobiana contra bactérias como a Staphylococcus aureus, frequentemente relacionada a infecções de pele.

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O resultado ajuda a explicar por que preparações tradicionais da planta costumam ser utilizadas na limpeza de ferimentos e na recuperação de pequenas lesões.

Uso exige cautela para evitar intoxicações

Apesar dos possíveis benefícios, o cipó-chumbo exige cautela. Relatos científicos registraram casos de intoxicação associados ao uso inadequado da planta.

Por isso, o consumo não é recomendado sem acompanhamento profissional, especialmente para gestantes e mulheres que amamentam.