Um projeto de pesquisa multidisciplinar no Real Mosteiro de Santa Maria de Pedralbes, localizado em Barcelona (Espanha), revelou um mistério histórico estarrecedor.
Ao abrirem tumbas medievais em Barcelona para celebrar os 700 anos da instituição fundada pela Rainha Elisenda de Montcada, pesquisadores descobriram que várias sepulturas continham as pessoas erradas.
A investigação, que teve duração de três anos e contou com a aprovação da comunidade de freiras locais, revelou que as identidades historicamente atribuídas aos túmulos não correspondem aos ossos encontrados.

No túmulo atribuído ao nobre Artau de Foces, por exemplo, não havia nenhum indivíduo do sexo masculino, mas sim os restos mortais de duas mulheres adultas e três crianças.
Esqueletos com ferimentos e a tumba vazia em Barcelona
Os arqueólogos esperavam uma análise simples, mas encontraram 25 corpos distribuídos em apenas oito tumbas, além de mais de 200 amostras arqueológicas de oferendas e plantas preservadas, o que os surpreendeu.
Segundo os pesquisadores, a discrepância ocorre porque os sepulcros passaram por sucessivas reaberturas e alterações ao longo dos séculos.
Os arqueólogos costumam encontrar fatores curiosos em suas pesquisas, como o grupo que encontrou um tesouro de 1.800 anos com mais de 40 mil moedas romanas em Senon.
O caso mais impressionante ocorreu no túmulo de Francesca Saportella, a segunda abadessa do mosteiro.
No local onde a religiosa deveria descansar, os arqueólogos encontraram pelo menos nove indivíduos de períodos posteriores, alguns com ferimentos provocados por armas brancas, além do tronco mumificado de uma mulher com restos fetais. A abadessa, porém, não estava lá.

Por que os corpos dentro das tumbas medievais foram trocados?
A reabertura dos túmulos ao longo dos séculos era uma prática ligada à evolução da cultura fúnebre, que envolvia a reutilização de espaços de sepultamento e a inclusão de oferendas.
Por meio da análise arqueobotânica, a equipe identificou a presença de plantas medicinais como o alecrim, usadas na preparação dos corpos, e oferendas florais simbólicas, além de objetos do cotidiano medieval embalados em trouxas.
Em contraste com os túmulos alterados, os arqueólogos encontraram a tumba da fundadora, a Rainha Elisenda, em excelente estado de conservação.
A monarca recebeu vestimentas simples e modestas durante o sepultamento.
Além disso, as análises iniciais de seu DNA revelaram sinais de problemas de saúde típicos da velhice e permitiram aos pesquisadores mapear parte de seu genoma.
