A China adentrou o mercado global de inteligências artificiais com o lançamento do DeepSeek. A concorrente chinesa passou a frente do ChatGPT em número de downloads desde o primeiro dia de lançamento. Mas quais são as vantagens?
Para começar, o DeepSeek é gratuito, diferente do que acontece com o ChatGPT, que limita parte das suas funcionalidades em sua versão sem custo. O usuário que quiser ter acesso integral deve pagar 20 dólares mensais, o equivalente a 114 reais na cotação atual.
O programa chinês também utiliza menos capacidade de processamento para funcionar em comparação com o ChatGPT.
Para se ter uma ideia da importância desse fato, a maior eficiência do DeepSeek em relação ao rival fez com que a empresa NVidia, fornecedora de processadores gráficos para startups de IAs, perdesse 500 bilhões de dólares em valor de mercado em apenas um dia.
Menor consumo d’água
O impacto econômico sofrido pela NVidia é só uma das provas da importância da eficiência operacional das IAs. O poder dos algoritmos também tem efeito sobre o meio-ambiente.
Com tanto uso de hardware, os data centers que mantém as IAs esquentam muito, e precisam de muita água para se resfriar. Segundo pesquisadores da Universidade da Califórnia, para cada 100 palavras escritas o ChatGPT são necessários, em média, 519 mililitros de água.
Já com o DeepSeek a história é outra. Giuseppe Sette, presidente da empresa especializada em IA, Reflexivity, conta que a IA chinesa demanda menos poder de processamento por ser um modelo de Computação por Tempo de Inferência.
Neste modelo de trabalho são utilizadas apenas as partes do hardware mais relevantes para a resposta, portanto, o consumo de energia é bem menor (algumas fontes citam uma diminuição de até 95%). Com menos cálculos, os supercomputadores chineses usam muito menos água para se resfriar.
Software aberto
Alberto Pantoja é estudante de Ciência e Tecnologia pela UFABC e realiza testes de inteligência artificial. Ele explica que uma grande diferença entre o DeepSeek e as demais plataformas é que a chinesa é de software aberto.
Isso significa que desenvolvedores podem olhar “por trás da cortina”, e entender qual raciocínio o software usou para chegar nas respostas que entrega. As outras IAs tendem a esconder o raciocínio ou dar respostas vagas quanto ao caminho utilizado para chegar aos resultados.
Desenvolvedores também podem utilizar o código da DeepSeek para escreverem as próprias ferramentas de inteligência artificial, o que amplifica a democratização da tecnologia.
Mas sobre ser melhor ou pior, Alberto esclarece: “A melhor forma de comparar as AI’s é pelo modelo. Alguns modelos gratuitos são mais defasados. Outros são mais avançados, topo de linha, mas são pagos, e não são baratos.”
Para estudo
O uso das inteligências artificiais na educação já é uma realidade, e a UNESCO publicou recentemente um Guia para uso de Inteligência Artificial no ensino e pesquisa.
Marina faz mestrado em economia na Universidade Federal Fluminense e tenta adotar as IAs para agilizar a busca por artigos. Segundo relata, tanto o ChatGPT quanto o Deepseek cometeram erros básicos de pesquisa.
“O ChatGPT inventa dados e erra de forma grosseira. Eu gostei mais das respostas do DeepSeek, embora tenha descartado todas para o trabalho final”.
Apesar de ajudarem muito na busca de informações, os modelos de IA ainda não são avançados o suficiente para serem confiados totalmente. É preciso realizar dupla checagem das respostas fornecidas, tanto na ferramenta chinesa quanto na norte-americana.
“Eu não recomendaria nenhuma para estudos sérios, é preciso ter um pé atrás. O ideal é tentar questionar sempre de onde a IA retira informações. Se ela não citar uma fonte, muito provavelmente a resposta não presta”, afirma Marina.
