Desde a pandemia, o lar ganhou novas funções — virou escritório, academia e, para alguns, até garagem. Entre os brasileiros mais ricos, uma tendência vem chamando atenção: os elevadores automotivos, que levam o carro direto até o apartamento.
A moda, que começou discretamente em 2010, hoje conquista novos edifícios de luxo em diferentes cidades do País. O que antes parecia extravagância, agora é visto como símbolo máximo de conforto e status.
A paixão que virou decoração
A tendência nasceu do amor pelo automóvel. Para muitos milionários, o carro é uma extensão da personalidade — e deixá-lo no subsolo já não faz sentido. O veículo sobe com o morador e passa a fazer parte da decoração, exibido como uma obra de arte no ambiente.
Além do toque de ostentação, o sistema oferece praticidade: o proprietário estaciona o carro na plataforma e, com o toque de um botão, sobe com ele até a sala de estar.
Segundo o site argentino TN, o Brasil já conta com quatro prédios com elevadores automotivos em funcionamento, além de dois em construção. A tendência começou em Belo Horizonte (MG), com o edifício Parc Zodíaco, entregue em 2010.
Engenharia que impressiona
Por trás da sofisticação está uma engenharia robusta. Os elevadores seguem padrões industriais, inspirados em plataformas de carga, e exigem reforços estruturais significativos.
As plataformas costumam ter até cinco metros de comprimento, o que demanda poços e lajes reforçadas para suportar veículos de até 3,5 toneladas. Em alguns municípios, há regras específicas de segurança, como sistemas contra incêndio e barreiras para contenção de fumaça.
Esses cuidados garantem o funcionamento seguro e o transporte suave do veículo — e, claro, do proprietário — até o andar desejado.
O preço do conforto extremo
O luxo tem um preço à altura. Um elevador automotivo pode custar até R$ 8 milhões, valor 85% superior ao de um elevador convencional de mesmo porte.
Esse custo impacta diretamente o valor do imóvel. Apartamentos com o recurso costumam ser amplos, de alto padrão construtivo e com preço médio de R$ 15 mil por metro quadrado.
A exclusividade se reflete também na arquitetura: grandes plantas, acabamento sofisticado e integração entre garagem e sala, como se o automóvel fosse parte do design do ambiente.
Exemplos que chamam atenção
O pioneiro Parc Zodíaco, em Belo Horizonte, abriu caminho para outros empreendimentos de luxo que seguiram a tendência:
- Sol Botânico (Nova Lima, MG), entregue em 2016;
- Quatro Ventos, também em Nova Lima, com unidades que chegam a R$ 12,9 milhões e oferecem 757 m², cinco quartos, dez banheiros e dez vagas na garagem;
- Victorian Living Desire (Goiânia, GO), o primeiro fora de Minas Gerais — uma de suas unidades pertence ao cantor Gusttavo Lima, conhecido por sua coleção de carros.
E os projetos não param. Em Balneário Camboriú (SC), a Senna Tower promete entrar para o livro dos recordes como o prédio residencial mais alto do mundo, com 550 metros e 157 andares.
Outro destaque é o Edifício EDGE, em construção em Fortaleza (CE), pela Diagonal Engenharia. Os apartamentos terão vista panorâmica para o mar e vagas que sobem junto com o carro até o lar.
O novo status do luxo urbano
Mais do que comodidade, os elevadores automotivos simbolizam uma mudança no conceito de morar. O automóvel deixa de ser apenas meio de transporte e passa a ocupar lugar de destaque na vida — e na sala — de quem pode pagar por isso.
Para os especialistas, essa tendência reflete uma nova estética do luxo: conforto, tecnologia e exclusividade integrados em um só espaço. E, ao que tudo indica, os “carros de sala” vieram para ficar — literalmente.
