Em um campo tranquilo na divisa entre Áustria, Hungria e Eslováquia, uma simples mesa de piquenique transformou um antigo ponto de tensão da Europa em um símbolo de paz.
Cada um dos três bancos pertence oficialmente a um país diferente, permitindo que visitantes atravessem fronteiras apenas mudando de assento.
Sem filas, guaritas ou agentes de imigração, hoje a área é conhecida pela atmosfera pacífica, muito diferente daquela vivida durante a Guerra Fria.
Uma mesa, três países
O ponto exato da tríplice fronteira é identificado por um marco de pedra em formato triangular. Cada lado exibe o nome e o brasão de um dos três países, indicando onde Áustria, Hungria e Eslováquia se encontram.
Ao redor do monumento foi criado um parque de esculturas que convida os visitantes a caminhar livremente entre os três territórios. Porém, a obra mais conhecida continua sendo a chamada “Mesa para Três”.
Além da mesa, o parque tem esculturas espalhadas pelo gramado e preserva antigos postes e trechos da cerca de arame farpado que existia na região. Esses elementos lembram que a área já foi uma das fronteiras mais rígidas da Europa.
O local está a cerca de 20 minutos de carro de Bratislava, pouco mais de uma hora de Viena e a menos de duas horas de Budapeste, o que facilita visitas de um dia partindo das três capitais.
Como surgiu a mesa de piquenique
Durante a Guerra Fria, a tríplice fronteira fazia parte da Cortina de Ferro, a divisão que separava os países alinhados ao bloco soviético das nações do Ocidente.
Na época, a Áustria estava do lado ocidental, enquanto Hungria e a Eslováquia (então Checoslováquia) estavam sob influência soviética. Cercas, vigilância constante e restrições impediam a circulação de pessoas naquele trecho.
A mudança começou em 1989, quando a Hungria iniciou a retirada da cerca na fronteira com a Áustria. O gesto marcou o enfraquecimento da Cortina de Ferro e antecedeu o fim da Guerra Fria.
Em 1991, o Parque de Esculturas (Szoborpark), nos arredores de Budapeste, na Hungria, foi inaugurado e a mesa de piquenique passou a representar o fim das barreiras que durante décadas dividiram a região.
Dá para atravessar a fronteira sem mostrar documentos
Hoje, quem visita o local pode caminhar de um país para outro sem apresentar passaporte ou passar por qualquer controle de imigração.
Isso acontece porque Áustria, Hungria e Eslováquia fazem parte do Espaço Schengen, acordo que eliminou o controle de fronteiras internas entre os 29 países participantes, principalmente europeus.
Região ainda recebe visitantes
Atualmente, ciclistas percorrem a região pela EuroVelo 13, conhecida como Rota da Cortina de Ferro, que acompanha antigos trechos da divisão entre o Leste e o Oeste europeu.
Moradores das cidades próximas também frequentam o espaço para passeios, piqueniques e caminhadas nos fins de semana. O parque ainda recebe encontros simbólicos entre as autoridades dos países para celebrar a integração europeia.





