Milho parecia comum, mas ficou roxo pouco antes da colheita e surpreendeu agricultores

Experiência em Ucayali mostra como o milho roxo pode virar alimento, bebida natural e fonte de renda para pequenos produtores.

Espigas de milho roxo chamam atenção pela cor intensa, ligada a pigmentos naturais presentes em alimentos arroxeados (Foto: Pexels / Pexels)

Durante quase todo o cultivo, nada parecia muito diferente. As espigas cresciam como qualquer outra lavoura, sem o tom intenso que dá fama ao milho roxo. Então, pouco antes da colheita, a cor apareceu.

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A mudança chamou atenção de agricultores e pesquisadores na região de Ucayali, no Peru, onde a variedade andina foi testada em áreas de várzea da Amazônia. O resultado surpreendeu não apenas pela aparência, mas também pela produtividade.

A experiência mostrou que a cultura pode encontrar espaço em solos que passam parte do ano cobertos pela água. 

O milho só ficou roxo no fim

O ponto mais curioso apareceu nas últimas semanas. Segundo o pesquisador Carlos Abanto Rodríguez, do IIAP, a plantação passou meses sem exibir a cor esperada. “Mas faltando de 15 a 20 dias para a colheita, sua coloração apareceu”, disse ele.

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Na prática, isso transformou uma dúvida em sinal de sucesso. O milho roxo manteve sua característica visual e mostrou adaptação aos solos inundáveis, um ambiente bem diferente das regiões andinas onde costuma ser cultivado.

Por que a várzea ajudou no cultivo?

As várzeas amazônicas ficam submersas durante o período de cheia dos rios. Quando a água baixa, o solo reaparece carregado de sedimentos, o que aumenta sua fertilidade natural e pode favorecer algumas culturas.

Por causa disso, o plantio começou depois da retirada das águas. O manejo também dispensou fertilizantes químicos e contou com capinas manuais a cada 20 dias para controlar ervas daninhas e manter o vigor das plantas.

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A cor roxa também tem valor

Além do impacto visual, a tonalidade do milho roxo está ligada às antocianinas, pigmentos naturais presentes em alimentos arroxeados. Esses compostos ajudam a explicar o interesse por produtos derivados da variedade.

Com a colheita, parte do milho foi vendida e outra parte usada na alimentação e em bebidas inspiradas na chicha morada. Depois, o IIAP desenvolveu a Camuchicha, feita com essência de milho roxo e polpa de camu-camu.

Uma nova chance para pequenos produtores

A experiência abre uma possibilidade importante para a agricultura familiar. Em vez de vender apenas o grão, os produtores podem transformar o milho em bebidas e outros produtos de maior valor agregado.

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Ainda há pesquisas em andamento para entender quais variedades se adaptam melhor ao clima amazônico. Mesmo assim, o caso já mostra como uma lavoura que parecia comum por meses pode revelar, no fim, uma cor capaz de mudar seu destino.