Apesar de placas de trânsito em todo o país usarem a figura de um cervo como símbolo, cervídeos nativos não são amplamente distribuídos no território brasileiro, mas isso pode mudar em breve graças a uma espécie invasora: o chital.
O chital, cervo asiático considerado espécie invasora, teve registro recente no Pantanal e pode ampliar a pressão sobre a fauna nativa. No Brasil, os primeiros registros do animal são de 2009.
Estimativas apontam que os rebanhos avançam de 100 a 150 quilômetros por ano. O novo registro reforça o risco de a espécie se espalhar por áreas sensíveis do bioma.
Registro no Mato Grosso do Sul
O registro foi feito perto de uma fazenda a cerca de 100 quilômetros da cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Um funcionário relatou que o animal incomodou touros e foi perseguido por cães.
Chitais podem pesar até 100 kg. No Pantanal, o receio é que a espécie aumente a competição por alimento e espaço, com impacto direto sobre pequenos veados nativos da região, como o cervo-do-pantanal que já se encontra no estágio vulnerável à extinção, segundo o IUCN.
Por que espécies invasoras preocupam
Espécies invasoras costumam virar problema quando encontram ambiente com poucos predadores. Com alta adaptação, elas ganham território rápido e podem desbalancear a cadeia local.
Esse tipo de avanço já entrou no debate em outros casos na América do Sul, como o dos hipopótamos selvagens da América do Sul, que cresceram fora de controle após introdução humana.
Como o chital chegou à América do Sul
A introdução do chital no continente começou no início do século XX, em ações ligadas à caça esportiva. Com o tempo, os animais saíram das áreas iniciais e passaram a ocupar regiões vizinhas.
Registros apontam a chegada à Argentina entre 1928 e 1930, seguida por avistamentos no Paraguai. No Brasil, a entrada é associada ao Sul, com expansão contínua para novas áreas.
Controle volta à discussão
O avanço do chital lembra a expansão de javalis nas últimas décadas. Com isso, surge o debate sobre controle populacional, tema que costuma envolver regras ambientais e segurança.
Hoje, a caça é proibida no Brasil, com exceções previstas em normas específicas. No caso dos javalis, há autorização de manejo, assunto que já motivou medidas como a discussão sobre autorização para caça de javali em diferentes formatos.
Para o chital, a tendência é que o tema ganhe força conforme novos registros apareçam. O foco é evitar que a espécie se estabeleça e passe a pressionar ainda mais a biodiversidade do Pantanal.






