Por muito tempo, o moa pareceu pertencer apenas aos fósseis, aos museus e às histórias sobre os animais estranhos que a humanidade perdeu para sempre.
Agora, essa ave gigante da Nova Zelândia, que podia passar de 3 metros de altura, voltou ao centro de uma pergunta quase cinematográfica: a ciência está perto de recriar um animal extinto?
O novo impulso veio após o nascimento de 26 pintinhos em um sistema de ovo artificial, tecnologia criada para imitar parte das funções de uma casca natural.
Uma ave enorme que não voava
O moa era uma ave sem capacidade de voo, nativa da Nova Zelândia. Algumas espécies estavam entre as maiores aves que já existiram e podiam pesar mais de 200 quilos.
Seu desaparecimento ocorreu há cerca de 600 anos, após a chegada humana ao arquipélago. A caça e a alteração do ambiente ajudaram a empurrar o animal para a extinção.
Por causa do tamanho, o moa sempre representou um desafio especial para a chamada desextinção. Não basta reconstruir traços genéticos. Também seria preciso criar uma forma segura de desenvolver um embrião tão grande.
Por que o ovo artificial chamou atenção
O sistema anunciado pela Colossal Biosciences usa uma membrana de silicone para permitir a troca de gases, uma das funções mais importantes da casca do ovo.
Na prática, essa estrutura tenta deixar o embrião respirar sem perder umidade e sem ficar tão exposto a contaminações. Além disso, o modelo pode ser ajustado para ovos de tamanhos diferentes.
“É uma membrana muito especializada e muito fina que permite uma troca gasosa realmente eficaz, que é aquilo para o qual a casca do ovo é incrivelmente projetada”, afirmou Andrew Pask, diretor de biologia da empresa.
Ainda não é uma ressurreição
Apesar do avanço, o nascimento dos pintinhos não significa que um moa esteja prestes a sair do laboratório. O experimento foi feito com galinhas, e a empresa ainda não divulgou todos os dados técnicos.
Especialistas também lembram que o DNA de espécies extintas se fragmenta com o tempo. Por isso, um animal recriado dificilmente seria uma cópia perfeita do moa original.
O resultado mais provável, caso a técnica avance, seria uma ave moderna geneticamente modificada para apresentar características parecidas com as do animal desaparecido.
O que pode mudar para outras aves
Mesmo com as incertezas, o ovo artificial pode ter utilidade além da desextinção. Uma tecnologia de incubação mais controlada poderia ajudar estudos sobre embriões e até projetos de conservação.
Esse talvez seja o ponto mais concreto da descoberta. Antes de trazer de volta gigantes perdidos, a ciência pode usar ferramentas parecidas para proteger aves ameaçadas que ainda vivem no planeta.
O dodô também está entre as aves extintas que viraram alvo de projetos modernos de desextinção (Foto: Ed Schipul / Wikimedia Commons)




