A radiação é um processo que pode ser nocivo aos seres vivos. A energia emitida por esse fenômeno é capaz de interagir com os objetos em nível atômico e provocar alterações na composição química de substâncias presentes em diferentes organismos.
Em áreas próximas a vazamentos de radiação, é comum observar espécies que sofrem mudanças em suas características fisiológicas. Foi isso o que aconteceu com uma espécie de fungo encontrada em Chernobyl.
Nas primeiras pesquisas, cientistas descobriram que esse membro do reino Fungi é capaz de utilizar a própria radiação para produzir os nutrientes necessários para sobreviver. Mas muitas de suas capacidades ainda vão além da compreensão humana.
O funcionamento da radiossíntese
O fungo em questão é o Cladosporium sphaerospermum, uma espécie de coloração escura encontrada em Chernobyl, região em que ocorreu o maior acidente e vazamento nuclear da história, após a explosão de um reator com material radioativo.
Seu destaque se dá pelo fato de ter sobrevivido por tanto tempo em uma área tão inóspita para outros seres vivos. Essa notoriedade levou pesquisadores a investigar os possíveis motivos e, eventualmente, descobrir algo chocante: o fungo “se alimenta” da radiação.
Semelhante ao papel da luz e da clorofila na fotossíntese, o pigmento predominante no fungo, a melanina, age como um transformador da radiação ionizante, aquela que remove elétrons dos átomos e é capaz de quebrar moléculas, em energia química, fornecendo os recursos necessários para prosperar.
Esse processo ganhou o nome de radiossíntese e, em boa parte do meio científico, ainda é tratado como uma teoria. Isso acontece porque, apesar de já se conhecer o papel da melanina no fenômeno, ainda faltam provas de como esse mecanismo biológico funciona exatamente.
Os prédios vazios de Pripyat ajudam a ampliar o pano de fundo da região onde o fungo passou a chamar a atenção de pesquisadores (Foto: Freepik)Potencial perigo
Apesar de suas adaptações, habitat e funcionamento, o contato com o C. sphaerospermum não costuma ser nocivo ao organismo. Ainda assim, é necessário tomar cuidado, pois o fungo pode agir como agravante em certas condições:
- Alergias e asma: seus esporos, chamados conídios, são transportados pelo ar e podem desencadear crises de asma, espirros, tosse e coceira nos olhos.
- Infecções raras: em casos incomuns, especialmente em pessoas com o sistema imunológico comprometido, o fungo pode causar infecções na pele, nos olhos, nos seios da face e até quadros graves de pneumonia fúngica.



