Os 10 melhores álbuns da música brasileira, segundo especialistas

A escolha foi feita por um grupo de diversos estudiosos, produtores e jornalistas

A seleção foi feita pela Revista Rolling Stone

A seleção foi feita pela Revista Rolling Stone | Montagem feita pela Gazeta

Uma revista especializada em música criou uma lista dos dez melhores álbuns da história nacional, destacando clássicos que vão de “Transa”, de Caetano Veloso, a “Acabou Chorare”, dos Novos Baianos. Os discos foram escolhidos por jornalistas especializados e representam momentos importantes da cultura nacional, mesclando inovação, resistência e emoção.

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A seleção inclui trabalhos que desafiaram censuras, impulsionaram movimentos culturais e marcaram gerações, evidenciando a riqueza e a diversidade da música brasileira ao longo das décadas.

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Confira abaixo o top 10 dos melhores álbuns da história da música brasileira segundo a Rolling Stone.

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10) Transa 

Caetano Veloso (1972, Philips)

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O álbum trata da solidão vivida por Caetano pelo período em que esteve longe de casa, em Londres, durante um exílio involuntário.

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A revista descreve o disco como um “encontro de um tropicalista com uma cultura estrangeira” que resultou em um trabalho autobiográfico gravado na capital britânica em 1971 e lançado no Brasil no ano seguinte. 

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9) Os Mutantes

Os Mutantes (1968, Polydor)

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Um disco que já nasceu vencedor mesmo sendo o primeiro álbum da banda.

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Antes de ser incluído na lista dos dez melhores da história da música nacional, “Os mutantes” já havia figurado na posição número 12 entre os “50 Discos Mais Experimentais de Todos os Tempos”.

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Neste último ranking ele já figurou duas posições acima de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, e bem à frente de The Piper at the Gates of Dawn, do Pink Floyd.

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8) Cartola

Cartola (1976, Discos Marcus Pereira)

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Muitos conhecem este disco por conta da trilha sonora do filme “Central do Brasil” no qual foi incluída da faixa “Preciso Me Encontrar”.

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Mas esse disco traz muito mais do que este clássico criado por um pedreiro, lavador de carro e contínuo que só gravou seu primeiro álbum aos 65 anos.

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Composto por sambas antigos, até então inéditos, descritos como poemas de “alegria melancólica e a pura dor” pela Rolling Stone, “Cartola” está eternizado na história da música brasileira.

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7) Clube da Esquina

Milton Nascimento & Lô Borges (1972, Odeon)

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Entre as músicas deste disco está “Nada será como antes”, como uma premonição do efeito que o álbum provocaria na MPB.  

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Inovador, este trabalho é descrito pela Rolling Stones como uma mistura “de música pop, Beatles e toadas”.

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Resultado de uma parceria de Milton com Lô Borges, um amigo que conheceu em Belo Horizonte, Clube da Esquina recebe o nome de um local que nada mais é do que o cruzamento das ruas Divinópolis com Paraisópolis, na capital mineira, onde a dupla e outros amigos se encontravam para jogar conversa fora.

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Os dois garotos pobres que aparecem na capa, um branco e um negro, são uma metáfora com os idealizadores deste inigualável projeto.

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6) A Tábua de Esmeralda

Jorge Ben (1972, Philips/Phonogram)

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Um violão com afinação própria e um jeito único de ser tocado. Este é o som que preenche as faixas desse fantástico trabalho que é descrito como uma perseguição de Jorge Ben a um estilo que não soa em nenhum outro disco.

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Beirando o surrealismo, as músicas inauguraram uma nova cadência – descompromissada, improvisada. A primeira faixa, “Os Alquimistas Estão Chegando”, anuncia o tema do álbum.

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Aliás, a escolha desta crença milenar como pano de fundo principal do trabalho foi considerada loucura pelo diretor, que acabou sendo convencido por Jorge Ben de que seria uma boa ideia. E foi.

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Com composições enigmáticas e inusitadas, o ouvinte deste disco não fica indiferente, mas é embalado por canções que proporcionam uma atmosfera psicodélica, segundo a Revista.

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5) Secos e Molhados

Secos e Molhados (1973, Continental)

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No Brasil de 73, afrontando a uma cruel ditadura, quase ninguém fez mais sucesso que Odair e os Secos e molhados, de acordo com a Rolling Stone.

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Este trabalho de João Ricardo, Gerson Conrad e Marcelo Frias é embalado pela poesia de Manuel Bandeira e Vinicius de Moraes, mas também ilustra o visual andrógino do grupo e a (homo) sexualidade explícita.

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Contém o que os críticos que o incluíram neste top 10 descreve como “toques hipnóticos de rock progressivo”.

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Considerada por parte da elite do MPB como cafona, a banda é, na verdade, uma revolução corajosa em tempos de terror e que foi precursora da luta por respeito à diversidade.

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4) Chega de Saudade

João Gilberto (1959, Odeon)

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Comparando o artista brasileiro aos Beatles, a revista Rolling Stone parece exagerar.

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Mas a verdade é que assim como a banda britânica reuniu diversos estilos do rádio dos anos 50 no que hoje é chamado pelo mundo como “rock”, o baiano de Juazeiro também fez uma mistura de diversos ritmos do rádio nacional dos anos 30 e 40 que resultou no estilo que atualmente conhecemos como “bossa nova”.

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Um trabalho revolucionário e ao mesmo tempo delicado no qual sua voz entoa canções em tom de conversa, suave e serena.

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Contando com Jobim na coordenação deste álbum, autorias de Ary Barroso e de Dorival Caymmi, o disco reduz todo o instrumental apenas ao violão, marcando o novo estilo de maneira maestral e por vezes enigmática.

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3) Construção

Chico Buarque (1971, Philips)

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Poucos discos se mostraram tão desafiadores frente à ditadura militar quanto “Construção”. Isso porque o regime estava em sua pior fase e o Governo tentava velar a crueldade ao desviar a atenção da população para vitória do Brasil no mundial de futebol no México enquanto pessoas eram torturadas os porões.

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Assim, este disco marca uma mudança de postura de Chico. O então “bom moço” de olhos verdes passou a fazer críticas mais explícitas ao regime nas músicas deste quinto álbum, ainda que de forma indireta para driblar a censura. 

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Segundo a Rolling Stone, em faixas como “Deus lhe Pague”, o cantor ironizou a servidão ao regime.

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Em “Construção”, criou um triste samba que expõe a miséria de um homem que trabalhava até a morte. Mas também há canções com mensagem de esperança, como em “Acalanto”. 

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2) Tropicália ou Panis et Circencis

Vários (1968, Philips)

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Assim como “Secos e Molhados” e “Construção”, Panis et Circencis foi muito mais do que um álbum de músicas, se revelando mais um instrumento de resistência e transgressão frente à ditadura.

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Lançado durante o AI-5, o chamado disco-manifesto é também um retrato de uma revolução na música brasileira. Segundo a Rolling Stone, o País vivia uma dicotomia: de um lado estavam os “alienados” da jovem guarda, e de outro, os “autênticos” da MPB que trabalhavam em um movimento novo, a Tropicália.

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Assim se juntaram a Caetano e Gil, neste psicodélico projeto, outros grandes nomes como Tom Zé, Nara Leão, Gal Costa, Os Mutantes, os poetas Capinan e Torquato Neto e o maestro Rogério Duprat.

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O resultado foi um disco de 12 faixas, entoadas por diferentes vozes que já eram improváveis expoentes, considerando o contexto histórico de repressão. 

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1) Acabou Chorare

Novos Baianos (1972, Som Livre)

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É muito difícil ouvir a canção que dá nome a este disco e não se sentir como um filho que ouve o pai quase sussurrando uma canção de ninar.

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Também não é tarefa fácil ouvir “Mistério do Planeta” e não ter vontade de viajar pelo Brasil com o grupo de hippies que idealizou este disco. 

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Mas estas são apenas duas das dez criações geniais que este álbum histórico traz. Gravado sob forte influência de João Gilberto, “Acabou Chorare” tem em suas faixas histórias de amor não correspondido. 

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Destaques para a faixa “Preta, pretinha” e para o título da obra, originado de um episódio engraçado com uma criança bilíngue que ao cair exclamou a frase que batizou o álbum.

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Com praticamente todas as letras assinadas ou co-assinadas por Luiz Galvão (que morreu nesta semana) – à exceção apenas de “Brasil pandeiro”, este trabalho representa a oportunidade que os Novos Baianos tiveram de mostrar um lado ainda mais autêntico.

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Após o último álbum, muito mais roqueiro, este movimento da banda para um projeto mais leve foi incentivado e inspirado por João Gilberto.

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Gilberto passou a frequentar o local onde a trupe se alojou no Rio de Janeiro, após deixar São Paulo. Nos encontros teria dito ao grupo algo como “Voltem-se para dentro de vocês mesmos”, segundo a Rolling Stone.

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Eles ouviram o conselho e o resultado foi um obra-prima atemporal, com canções amplamente difundidas nas rádios de todo o País e que ainda encanta novas gerações.

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A escolha dos discos

A Revista Rolling Stone afirma que a seleção não é necessariamente definitiva e traça um retrato da época em que foi realizada.

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Foram consideradas as opiniões de diversos jornalistas brasileiros que indicaram os discos que acreditavam ser naquele momento os mais emblemáticos.

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Mas a música nacional é diversa, tem muita história e artistas inigualáveis que não caberiam em uma simples lista.