Paulista largou tudo para viajar o mundo pedalando por 69 países em 8 anos

Projeto ainda passou por um teste, quando ele pedalou pela costa da Noruega por 96 dias, enfrentando o Sol e temperaturas extremas

Já na reta final, em 2025, Aurélio Magalhães sofreu uma avaria grave na bicicleta enquanto cruzava o altiplano boliviano

Já na reta final, em 2025, Aurélio Magalhães sofreu uma avaria grave na bicicleta enquanto cruzava o altiplano boliviano | Arquivo Pessoal

O educador físico Aurélio Magalhães, de 54 anos, transformou um cansaço profundo com a rotina estressante de São Paulo em uma das maiores aventuras sobre duas rodas já registradas por um brasileiro.

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No dia 30 de agosto de 2025, ele retornou à sua cidade natal, Marília, no interior de São Paulo, após percorrer 77 mil quilômetros e visitar mais de 800 pontos turísticos em uma jornada que durou quase três mil dias (2.942).

O combustível da mudança: ‘Eu vendia qualidade de vida, mas perdia a minha’

Antes de se tornar um cicloturista mundial, Aurélio trabalhava como personal trainer na capital paulista. A rotina exaustiva o motivou a buscar um sonho antigo: conhecer o mundo por meio de seus hobbies.

“Eu vendia qualidade de vida para os meus alunos, mas estava perdendo a minha”, revelou ao g1.

O projeto, batizado de “Da China para Casa By Bike”, teve um “teste drive” em 2011, quando ele pedalou pela costa da Noruega por 96 dias, enfrentando o Sol e temperaturas extremas.

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Projeto começou com um ‘teste drive’ em 2011, quando ele pedalou pela costa da Noruega por 96 dias/Arquivo pessoal

Desertos, terremotos e altitudes extremas

A jornada oficial começou em novembro de 2013, partindo de Hong Kong. Ao longo de oito anos, o ciclista enfrentou desafios que testaram seus limites físicos e mentais:

  • Temperaturas extremas: de pedaladas sob o calor de 52°C no Mar Morto a noites de -18°C em uma barraca.
  • Desafios geográficos: travessias pelos desertos de Gobi e Saara, além de atingir 4.700 metros de altitude.
  • Momentos de tensão: Aurélio estava no Nepal em 2014 durante um forte terremoto que mudou sua perspectiva sobre a vida.
  • Perrengues mecânicos: já na reta final, em 2025, sofreu uma avaria grave na bicicleta enquanto cruzava o altiplano boliviano.

Pausa forçada pela pandemia

O projeto só não foi ininterrupto devido à pandemia de Covid-19. Em dezembro de 2020, com o fechamento das fronteiras, Aurélio precisou interromper a viagem na Colômbia e retornar ao Brasil.

Ele só retomou o guidão em setembro de 2022, partindo exatamente do mesmo ponto onde havia parado, na região da Cordilheira dos Andes.

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Conhecer novos lugares e pessoas

Apesar dos registros em 448 episódios no YouTube e milhares de fotos, Aurélio destaca que o aprendizado mais valioso não foram as paisagens, mas as conexões humanas.

“Percebi que as pessoas são ainda mais importantes do que os lugares”, afirmou também ao g1. No entanto, confessou que a maior dificuldade foi o distanciamento da família, especialmente da filha.

Inspirar os próximos

Ao chegar a Marília, onde foi recebido com festa e uma “motobicicarreata”, o ciclista expressou um sentimento de missão cumprida e gratidão por estar vivo após tantas adversidades.

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A bicicleta é um bom exercício para a saúde e bom para o joelho dos idosos, assim como caminhadas e agachamentos.

Agora, os planos de Aurélio incluem transformar suas vivências em palestras, conectando as lições da estrada com os desafios do cotidiano.

“Quero inspirar as pessoas a descobrirem o melhor dentro delas”, finalizou seu depoimento.