Pessoas obcecadas por políticos têm o cérebro afetado, diz pesquisa

Estudo científico investiga como visões políticas intensas se conectam a padrões cognitivos

Pesquisa aponta relação entre rigidez ideológica e formas específicas de pensar

Pesquisa aponta relação entre rigidez ideológica e formas específicas de pensar | Marcelo/Fábio/Agência Brasil

2026 é ano de eleições e o Brasil já começou a sentir os efeitos. A disputa entre direita e esquerda, representada em 2022 por Lula e Bolsonaro, tornou-se parte da sociedade e gera brigas familiares até hoje. Para medir os efeitos dessa radicalização, uma pesquisa estudou como ela afeta o cérebro.

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O estudo, publicado na revista Royal Society, analisa como pessoas com visões políticas mais rígidas processam informações e tomam decisões, revelando padrões que vão além da ideologia em si.

Logo de início, os pesquisadores indicam que o fenômeno não se limita a um espectro político específico, mas envolve diferentes formas de percepção e raciocínio.

O que o estudo investigou

O trabalho reuniu dados de centenas de participantes para entender como características cognitivas se relacionam com posicionamentos políticos mais extremos. Em vez de focar em partidos, o estudo analisou padrões mentais.

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Os resultados mostram que indivíduos com visões mais rígidas tendem a apresentar menor flexibilidade cognitiva. Ou seja, têm mais dificuldade em adaptar pensamentos diante de novas informações ou pontos de vista divergentes.

Além disso, os pesquisadores observaram uma tendência maior à busca por respostas simples para questões complexas. Esse padrão pode influenciar diretamente a forma como essas pessoas interpretam notícias e debates públicos.

A pesquisa não focou no voto dos eleitores, mas sim a ligação deles com os candidatos e partidosA pesquisa não focou no voto dos eleitores, mas sim a ligação deles com os candidatos e partidos (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Como o cérebro responde à rigidez ideológica

Segundo o estudo, a rigidez política está associada a estilos de pensamento mais estruturados e menos abertos à ambiguidade. Em outras palavras, há uma preferência por certezas claras em vez de nuances.

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Os autores destacam que esse tipo de processamento pode tornar o indivíduo mais suscetível a narrativas polarizadas. Isso acontece porque mensagens diretas e emocionais são mais facilmente assimiladas nesse contexto.

Ao mesmo tempo, o estudo não afirma que essas pessoas sejam menos capazes de pensar. Em vez disso, sugere que elas utilizam estratégias cognitivas diferentes, com foco em segurança e consistência.
o impacto no debate público.

Esse padrão cognitivo pode ajudar a explicar por que discussões políticas se tornam tão acaloradas. Quando há menor abertura para revisar ideias, o diálogo tende a se transformar em confronto.

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Além disso, a pesquisa aponta que ambientes digitais intensificam esse comportamento. Redes sociais, por exemplo, favorecem conteúdos que reforçam crenças já existentes, criando ciclos de confirmação.

Com isso, o usuário passa a consumir informações que validam sua visão de mundo, reduzindo o contato com perspectivas diferentes. Esse processo fortalece ainda mais a rigidez identificada pelos cientistas.

Segundo a pesquisa, as redes sociais são importantes para o ciclo de radicalizaçãoSegundo a pesquisa, as redes sociais são importantes para o ciclo de radicalização (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por que isso importa agora

Em um cenário global marcado por polarização, entender como o cérebro lida com política se torna essencial. O estudo oferece pistas importantes sobre como melhorar o diálogo e reduzir conflitos.

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Os autores sugerem que incentivar o pensamento crítico e a exposição a diferentes ideias pode ajudar a ampliar a flexibilidade cognitiva. Pequenas mudanças no consumo de informação já fazem diferença.

No fim, a pesquisa deixa uma provocação: até que ponto nossas convicções políticas são fruto de escolhas conscientes ou de padrões mentais que nem sempre percebemos?