De tempos em tempos, um vídeo de bebês brincando com cobras reais volta a viralizar nas redes sociais. O trecho faz parte de um experimento da Australian Broadcasting Corporation (ABC), para a série documental Secret Science (2024).
A reação da maioria das pessoas costuma ser de choque, aflição e incredulidade. O pavor de cobras é tão comum que muita gente acredita que essa aversão já nasce com os humanos, mas o teste mostrado no vídeo indica o oposto.
Por que bebês não têm medo de cobras?
No recorte do documentário, os bebês observam, apertam e alguns até tentam morder as cobras por curiosidade. Não há sinal de medo, enquanto os pais acompanham a cena visivelmente aflitos.
De acordo com psicólogos, só dois tipos de medo podem ser despertados em idade tão precoce: medo de altura e medo de barulhos muito altos.
Já o medo de animais peçonhentos, como cobras e aranhas, é construído ao longo do tempo. Em momentos em que aranhas-marrons são comuns em lares brasileiros, a tensão dos adultos costuma aparecer primeiro, e o bebê aprende a ler essa reação.
Quando os pais demonstram temor pela expressão e pelo corpo, a criança percebe e passa a interpretar a situação como potencialmente perigosa, tornando-se mais cautelosa.
Nos adultos, esse alerta pode se transformar em pânico, mesmo diante de espécies que assustam mais pela aparência do que pelo perigo real, como é o caso da cobra-cipó.
Como o vídeo foi feito
Segundo o especialista ouvido no trecho, o experimento foi seguro, apesar de parecer arriscado à primeira vista.
“Essas cobras são treinadas e habituadas a conviver com humanos. Elas não são venenosas”, contou ele.
Apesar de parecer incomum, é possível conviver com cobras não venenosas e até tratá-las como animais de estimação em alguns contextos.
No Brasil, essa prática é permitida dentro de regras rígidas. Em geral, envolve compra em criadouros autorizados pelo IBAMA e documentação do animal, além de formas de identificação, como microchip.
Outros experimentos parecidos
Outro experimento, relatado à BBC em 2017 pela psicóloga Vanessa LoBue, da Universidade da Virgínia, também investigou se bebês têm medo inato de cobras.
A equipe exibiu vídeos de serpentes e elefantes, com narrações em diferentes tons emocionais. Enquanto isso, monitorou respostas fisiológicas dos bebês e aplicou um breve susto com um flash de luz.
Os resultados mostraram que, apesar de os bebês prestarem mais atenção às cobras, isso não desencadeou medo. A conclusão foi que o temor por animais peçonhentos é aprendido com o tempo, e não inato.
O fascínio humano por cobras
O interesse por cobras aparece cedo. Pesquisas apontam que bebês humanos e filhotes de primatas costumam fixar o olhar nesses animais por mais tempo do que em outros.
Vanessa LoBue argumenta que essa reação inicial não é medo, mas uma predisposição evolutiva para detectar rápido algo que, historicamente, representou perigo.
Ainda assim, a psicóloga avalia que não ter um medo inato de certas coisas é vantajoso. Um temor enraizado poderia restringir a curiosidade e a exploração dos bebês.






