As moscas são insetos que conseguem ser, ao mesmo tempo, curiosos e irritantes. Quem nunca, após ouvir por muito tempo seu zumbido característico, ficou estressado com elas e tentou acertá-las, embora elas sempre consigam fugir, causando ainda mais raiva?
Mas você já parou para pensar em como as moscas conseguem ser tão ágeis e escapar de quase todos os nossos ataques? Isso foi desvendado por uma pesquisa recente que analisou mecanismos de percepção desses insetos.
Apesar de seu tamanho pequeno, esses seres possuem anatomia complexa e são capazes de funcionalidades que parecem irreais para os humanos. Estudá-las pode trazer contribuições para a nossa ciência.
Visão em câmera lenta
Os cientistas descobriram que, diferentemente dos humanos, as moscas não possuem um processamento de informação visual passivo, isto é, elas não “desligam” o cérebro para imagens que aparentam ser inúteis.
Isso ocorre porque ter um processamento visual passivo é perigoso em momentos de alta velocidade, como quando estão voando. Assim, a evolução da espécie desenvolveu um mecanismo que permite que as imagens sejam assimiladas pelo cérebro quase imediatamente.
Dessa forma, as moscas conseguem ter uma visão que equivale a uma filmagem em câmera lenta e podem distinguir sucessões de eventos em frações de segundo, elaborando uma reação antes que a ação seja completamente executada.
Os olhos vermelhos das moscas concentram milhares de pequenas lentes ligadas à percepção visual do inseto (Foto: Prasanna / Wikimedia Commons)Mecanismo de processamento em alta frequência
Todo esse processo é possível graças a um sistema que foi chamado de “salto sináptico de alta frequência”, que permite que os impulsos nervosos transmitidos pelas sinapses tenham alto volume e eficiência.
Investigando mais a anatomia de moscas e realizando testes laboratoriais, os pesquisadores perceberam que os nervos ópticos desses insetos têm uma capacidade de processamento de imagens até 100 vezes maior que a dos humanos.
Na prática, elas são capazes de assimilar acontecimentos rápidos de forma mais nítida do que nós, apesar de, em contrapartida, sua visão ser ineficiente na diferenciação de detalhes, como texturas e profundidade.






