Voos de ida e volta têm durações diferentes? Entenda como ventos e rotação da Terra afetam viagens entre São Paulo e Santiago

A diferença no tempo de voo entre ida e volta tem explicação científica e vai muito além da rotação da Terra

As correntes de jato em alta altitude são as principais responsáveis pela diferença no tempo de voo entre a ida e a volta (Foto: Michael Pointner/ Pexels)

As correntes de jato em alta altitude são as principais responsáveis pela diferença no tempo de voo entre a ida e a volta (Foto: Michael Pointner/ Pexels)

Você já reparou que, em muitas viagens, o voo de volta parece durar menos do que o de ida? Essa diferença chama a atenção de passageiros em rotas nacionais e internacionais e costuma levantar uma dúvida comum: será que a culpa é da rotação da Terra?

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A resposta surpreende. Embora muita gente imagine que o planeta “gire” enquanto o avião está no ar, essa não é a razão para a diferença no tempo de voo. Na prática, o principal responsável está a milhares de metros de altitude e é invisível aos olhos.

A rotação da Terra não faz o avião chegar mais rápido

É comum ouvir que, como a Terra gira de oeste para leste, um avião voando no sentido contrário chegaria mais rapidamente ao destino. Porém, essa explicação não corresponde ao que acontece na realidade.

Isso porque a atmosfera gira junto com o planeta. Quando uma aeronave decola, ela já está se movendo na mesma velocidade de rotação da Terra que o solo e o ar ao seu redor.

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Se a atmosfera ficasse parada enquanto a Terra girasse abaixo dela, haveria ventos permanentes de milhares de quilômetros por hora, algo que simplesmente não existe.

Em outras palavras, o avião não “fica parado no ar esperando a Terra girar”. Ele voa dentro de uma atmosfera que acompanha o movimento do planeta.

O verdadeiro motivo está nos ventos em alta altitude

A principal explicação para a diferença entre o tempo da ida e da volta são as chamadas correntes de jato, conhecidas internacionalmente como jet streams. Esses corredores de vento extremamente fortes circulam em grandes altitudes e podem ultrapassar os 300 km/h.

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Dependendo da direção do voo, eles podem:

  • empurrar a aeronave, reduzindo o tempo da viagem;
  • criar resistência, aumentando a duração do percurso;
  • influenciar o consumo de combustível;
  • alterar o planejamento feito pelas companhias aéreas.

É justamente esse efeito que faz alguns voos durarem menos em um sentido e mais no outro.

Por que o voo entre Santiago e São Paulo muda de duração?

Um exemplo bastante conhecido é a rota entre Santiago, no Chile, e São Paulo. Embora a distância seja praticamente a mesma nos dois sentidos, o tempo de viagem costuma variar. Em muitos dias:

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  • Santiago → São Paulo pode levar cerca de 3h40 a 4h;
  • São Paulo → Santiago costuma durar aproximadamente 4h10 a 4h40.

A diferença acontece porque os ventos predominantes em determinadas altitudes podem favorecer um dos trajetos e dificultar o outro.

Vale lembrar que esses tempos não são fixos. Eles variam conforme as condições meteorológicas do dia, altitude escolhida e planejamento operacional de cada companhia aérea.

As rotas nem sempre são exatamente iguais

Outro fator importante é que os aviões raramente seguem uma linha reta perfeita entre dois aeroportos. Os pilotos e controladores de tráfego aéreo definem rotas levando em consideração diversos fatores, como:

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  • condições climáticas;
  • áreas de turbulência;
  • tráfego aéreo;
  • restrições temporárias de espaço aéreo;
  • eficiência no consumo de combustível.

Por isso, o caminho da ida pode ser diferente do utilizado na volta.

A diferença pode chegar a mais de uma hora

Em algumas rotas internacionais, especialmente aquelas que cruzam o Oceano Atlântico, as correntes de jato podem ser tão intensas que a diferença entre ida e volta ultrapassa uma hora.

Voos entre Europa e América do Norte são alguns dos exemplos mais conhecidos, justamente por aproveitarem ventos muito fortes em determinadas épocas do ano.