O café é um dos alimentos mais tradicionais da rotina do brasileiro. Eu mesma sou viciada em todas suas variações geladas, principalmente os frapês. Apesar de consumir o grão com uma certa frequência, confesso que nunca pesquisei a fundo o processo, e na manhã passada, tentando pedir um pingado simples numa padaria, fiquei na dúvida se escolhia meu café “espresso” ou “coado” com leite. Qual a diferença?
Embora os dois sejam preparados a partir dos mesmos grãos, café expresso e café coado têm diferenças importantes no modo de preparo, na concentração, no sabor e até na quantidade de cafeína por porção. A principal distinção está na forma como a água entra em contato com o café.
O café coado passa pela moagem e pelo filtro de maneira mais lenta, enquanto o expresso é preparado sob pressão e em poucos segundos, o resultado são bebidas com características diferentes. O café expresso é mais forte no sabor e na concentração por mililitro, mas o café coado costuma ter mais cafeína no total da xícara.
Café expresso sofre pressão e é mais concentrado
O café expresso é preparado ao passar água quente sob pressão pelo café moído. O processo é rápido, geralmente leva cerca de 20 a 30 segundos, e produz uma pequena quantidade de bebida, normalmente servida em uma xícara pequena.
Como a quantidade de água é reduzida e o café é bastante concentrado, o expresso apresenta sabor mais intenso, mais encorpado e uma textura característica. Também costuma formar uma camada de espuma na superfície, conhecida como crema, resultado da emulsificação de óleos e outros compostos presentes no café durante a extração.
Uma curiosidade é que o nome “expresso” está relacionado justamente à rapidez do preparo.
Café coado passa por filtragem mais lenta
No café coado, a água quente passa pelo café moído por ação da gravidade e atravessa um filtro, que pode ser de papel, tecido ou outros materiais. O processo é mais demorado e utiliza uma quantidade maior de água.
Por isso, a bebida costuma ser menos concentrada e mais leve no paladar. Dependendo do grão, da moagem e do método utilizado, também pode apresentar maior percepção de aromas e sabores mais delicados.
O filtro de papel ainda retém parte dos óleos presentes no café, o que ajuda a explicar por que o coado costuma ter uma aparência mais limpa e uma textura menos pesada do que o expresso.
Qual deles tem mais cafeína? Depende!
O café expresso é mais concentrado, mas isso não significa que uma xícara tenha necessariamente mais cafeína que uma porção de café coado.
Um expresso tradicional costuma ter cerca de 30 ml, enquanto uma xícara de café coado pode ter de 150 ml a 200 ml ou mais. Assim, quando comparamos a quantidade total de cafeína consumida, o café coado pode até fornecer mais cafeína por porção simplesmente porque é consumido em maior volume.
A quantidade, porém, varia bastante. Tipo de grão, quantidade de pó utilizada, moagem, temperatura da água e tempo de extração influenciam diretamente no resultado. Por isso, dizer que “expresso tem mais cafeína” sem especificar o tamanho da porção pode ser enganoso.
Diferenças exigem cuidado individual
A diferença não está apenas na máquina ou no filtro, a extração muda a composição da bebida. A moagem utilizada normalmente é diferente, o expresso exige uma moagem mais fina, enquanto o café coado geralmente utiliza uma moagem média.
Isso significa que até o mesmo grão pode produzir bebidas completamente diferentes dependendo da forma de preparo.
Filtros de papel conseguem reter boa parte dos diterpenos do café, como cafestol e kahweol, compostos que podem elevar o colesterol quando consumidos em grandes quantidades. Por isso, o café filtrado pode ter uma vantagem nesse aspecto em comparação com métodos sem filtro de papel.
Independente de qual for escolhido, é necessário prestar atenção na quantidade consumida de café, na sensibilidade individual à cafeína e no que é acrescentado à bebida, como açúcar, leite, cremes e xaropes.






