Superar o fim de um relacionamento é uma das experiências emocionais mais complexas da vida adulta.
Mais do que deixar alguém para trás, o término exige romper com rotinas, expectativas de futuro e até com a própria identidade construída a dois.
Mas, afinal, existe um prazo de validade para essa dor? Confira a seguir os resultados das pesquisas.
O veredito da ciência: 4 anos
Se você sente que está demorando para “seguir em frente”, a ciência tem um consolo: o desapego total não acontece do dia para a noite.
Uma pesquisa publicada em março de 2025 na revista Social Psychological and Personality Science acompanhou 320 pessoas e revelou que, em média, leva cerca de 4,18 anos para que os laços afetivos se dissolvam de forma significativa.
Para que o ex-parceiro se torne apenas “alguém que você conhecia”, o tempo médio é esse, mas a dissolução completa do vínculo pode chegar a oito anos.
O estudo reforça que o processo é gradual e depende de fatores como o estilo de apego de cada um e, crucialmente, a manutenção de contato.
Por que o cérebro “vicia” no ex?
A dificuldade em esquecer tem uma explicação biológica. Segundo o neurologista Alejandro Andersson, o cérebro cria “mapas emocionais” onde o parceiro é registrado como uma fonte de segurança e prazer (recompensa).
Quando o vínculo é cortado, o sistema de busca por dopamina continua ativo, gerando uma sensação de “abstinência”.
Diferente do luto por morte, no término existe a possibilidade simbólica de retorno, o que mantém o sistema cerebral em alerta e pode prolongar o sofrimento.
O que ajuda (e o que atrapalha) a superação
Especialistas e relatos de quem passou pelo processo apontam caminhos práticos para lidar com o vazio deixado pela rotina.
O que fazer:
- Regra do contato zero: bloquear em redes sociais e deletar o número é essencial para o cérebro parar de receber “doses” de dopamina a cada visualização de perfil.
- Investir na “Era da Vingança”: não se trata de dar o troco, mas de usar a dor como combustível para o autocuidado, novos hobbies e terapia.
- Lista da realidade: escrever os motivos pelos quais o relacionamento não funcionou ajuda a combater a idealização da memória.
O que evitar:
- Monitorar a vida do outro: usar perfis falsos ou perguntar a amigos apenas prolonga o luto.
- A “última despedida”: encontros para buscar conforto ou intimidade física confundem o cérebro e reiniciam o ciclo de apego.
Quando buscar ajuda?
O luto de um término não é linear; ele tem altos e baixos. No entanto, a psicóloga Flávia Bonani alerta que, se a dor se tornar crônica, interferir na rotina ou gerar sintomas depressivos, é hora de procurar apoio profissional.
Terapias como a Cognitivo-Comportamental (TCC) são recomendadas para “destravar” processos emocionais que ficaram presos no tempo.
No fim, superar um ex exige paciência e o entendimento de que não há um relógio fixo para o coração, mas sim um processo singular de reconstrução de si mesmo.



