Você ainda pensa no ex? Ciência explica por que o cérebro demora anos para desapegar

Pesquisa publicada na revista Social Psychological and Personality Science indica que o desapego após um término pode levar mais de quatro anos e explica por que o cérebro demora tanto para se libertar de um ex

Estudos apontam que o cérebro mantém ativos os "mapas emocionais" do relacionamento por anos, o que ajuda a explicar por que esquecer um ex pode ser um processo longo e gradual

Estudos apontam que o cérebro mantém ativos os "mapas emocionais" do relacionamento por anos, o que ajuda a explicar por que esquecer um ex pode ser um processo longo e gradual | Freepik

Superar o fim de um relacionamento é uma das experiências emocionais mais complexas da vida adulta. 

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Mais do que deixar alguém para trás, o término exige romper com rotinas, expectativas de futuro e até com a própria identidade construída a dois.

Mas, afinal, existe um prazo de validade para essa dor? Confira a seguir os resultados das pesquisas.

O veredito da ciência: 4 anos

Se você sente que está demorando para “seguir em frente”, a ciência tem um consolo: o desapego total não acontece do dia para a noite. 

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Uma pesquisa publicada em março de 2025 na revista Social Psychological and Personality Science acompanhou 320 pessoas e revelou que, em média, leva cerca de 4,18 anos para que os laços afetivos se dissolvam de forma significativa.

https://www.youtube.com/watch?v=A2MdkjbZLgc

Para que o ex-parceiro se torne apenas “alguém que você conhecia”, o tempo médio é esse, mas a dissolução completa do vínculo pode chegar a oito anos. 

O estudo reforça que o processo é gradual e depende de fatores como o estilo de apego de cada um e, crucialmente, a manutenção de contato.

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Por que o cérebro “vicia” no ex?

A dificuldade em esquecer tem uma explicação biológica. Segundo o neurologista Alejandro Andersson, o cérebro cria “mapas emocionais” onde o parceiro é registrado como uma fonte de segurança e prazer (recompensa). 

Quando o vínculo é cortado, o sistema de busca por dopamina continua ativo, gerando uma sensação de “abstinência”.

Diferente do luto por morte, no término existe a possibilidade simbólica de retorno, o que mantém o sistema cerebral em alerta e pode prolongar o sofrimento.

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O que ajuda (e o que atrapalha) a superação

Especialistas e relatos de quem passou pelo processo apontam caminhos práticos para lidar com o vazio deixado pela rotina.

O que fazer:

  • Regra do contato zero: bloquear em redes sociais e deletar o número é essencial para o cérebro parar de receber “doses” de dopamina a cada visualização de perfil.
  • Investir na “Era da Vingança”: não se trata de dar o troco, mas de usar a dor como combustível para o autocuidado, novos hobbies e terapia.
  • Lista da realidade: escrever os motivos pelos quais o relacionamento não funcionou ajuda a combater a idealização da memória.

O que evitar:

  • Monitorar a vida do outro: usar perfis falsos ou perguntar a amigos apenas prolonga o luto.
  • A “última despedida”: encontros para buscar conforto ou intimidade física confundem o cérebro e reiniciam o ciclo de apego.

Quando buscar ajuda?

O luto de um término não é linear; ele tem altos e baixos. No entanto, a psicóloga Flávia Bonani alerta que, se a dor se tornar crônica, interferir na rotina ou gerar sintomas depressivos, é hora de procurar apoio profissional. 

Terapias como a Cognitivo-Comportamental (TCC) são recomendadas para “destravar” processos emocionais que ficaram presos no tempo.

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No fim, superar um ex exige paciência e o entendimento de que não há um relógio fixo para o coração, mas sim um processo singular de reconstrução de si mesmo.