Nos primeiros anos da década de 2000, o som da internet discada era a porta de entrada para um mundo novo, ainda sem leis claras no Brasil.
Foi nesse cenário que Daniel Lofrano Nascimento, um jovem tímido e vítima de bullying na escola, descobriu que o domínio de códigos e sistemas poderia lhe dar o reconhecimento que a vida real negava.
A história de Daniel, que atualmente chega aos cinemas com o longa “O Rei da Internet”, é marcada por uma ascensão meteórica e uma queda cinematográfica.
Aos 15 anos, ele já era considerado um dos maiores hackers do País, capaz de invadir servidores governamentais e redes de grandes corporações de dentro do seu quarto.
O golpe que parou uma região
O feito mais notório de Daniel aconteceu quando ele atacou a rede da Telemar (atual Oi). A ação não foi apenas um teste de habilidade: ela deixou boa parte da Região Nordeste sem internet por uma semana inteira.
Foi esse colapso que colocou o adolescente definitivamente no radar das autoridades e de organizações criminosas que buscavam recrutar seu talento.
Trabalhando para uma quadrilha de Porto Alegre sob o codinome “DN”, Daniel passou a ostentar uma vida de luxo, festas e hotéis caros.
Ele relata ter chegado a desviar R$ 1 milhão em uma única madrugada através de fraudes bancárias e roubo de dados.
A queda e a operação ‘.com’
A ostentação teve fim em 30 de novembro de 2005. Em uma ação que Daniel descreve como digna de filme, a Polícia Federal deflagrou a Operação ‘.com’.
Agentes armados invadiram o apartamento onde ele estava, apreendendo computadores e desarticulando o grupo.
Daniel tinha apenas 16 anos na época e passou a responder à Justiça logo após ser ouvido.
O recomeço na cibersegurança
Diferente de muitas histórias que terminam no sistema prisional, a trajetória de Daniel Nascimento tomou um rumo de reabilitação técnica.
Após enfrentar períodos de depressão e dificuldades financeiras após o fim do esquema, ele decidiu usar seu conhecimento para o outro lado da força.
Hoje, aos 37 anos, o ex-hacker é um respeitado consultor de segurança digital e palestrante.
Ele comanda uma empresa que presta serviços para grandes corporações e desenvolveu projetos como o “Fake News Autêntica”, focado em combater a desinformação.
Sua biografia, DN Pontocom – A Vida Secreta e Glamourosa de Um Ex-hacker, serviu de base para o roteiro do filme dirigido por Fabrício Bittar.
Para quem assiste João Guilherme interpretar o jovem fascinado pelo poder digital, fica o retrato de uma época em que o Brasil ainda engatinhava na compreensão do que o crime virtual poderia se tornar.








