Em Zurique, na Suíça, empresários e executivos recorrem à Paracelsus Recovery, clínica que atende um paciente por vez e cobra US$120 mil por semana, cerca de R$625 mil.
Pacientes buscam manter a vitalidade de uma pessoa de 40 anos aos 80, reduzir riscos de doenças e preservar o entusiasmo.
Combinando medicina de ponta e protocolos rigorosos, a clínica oferece monitoramento biológico constante e mudanças profundas no estilo de vida.
Perfil dos pacientes
Segundo o jornal O Globo, o termo “síndrome da fixação pela longevidade” foi criado por Jan Gerber, CEO e fundador da clínica. Ele percebe aumento de casos entre homens de alto desempenho, com patrimônio elevado e tempo disponível.
“São pessoas que podem fazer qualquer coisa, de saltar de paraquedas a viajar para a Antártida ou acompanhar a Fórmula 1”, afirma. No entanto, Gerber resume o dilema para o jornal: “Eu tenho os recursos, mas tenho anos limitados”.
Cuidado pode virar obsessão
A tendência à ansiedade ou comportamentos obsessivos transforma a busca pela longevidade em fixação. Rotinas rígidas de alimentação, suplementação e terapias intravenosas lembram a ortorexia, transtorno ligado à obsessão por dietas saudáveis.
Tecnologias como smartwatches, monitores de glicose e anéis inteligentes convertem noites mal dormidas ou treinos perdidos em gatilhos de culpa e estresse.
Comportamentos como compulsão levam pacientes a cancelar encontros sociais e compromissos familiares para cumprir protocolos de sono, jejum ou exercícios.
Muitos chegam à clínica exaustos, com depressão e insônia, percebendo que o próprio regime voltado à saúde se tornou fonte de sofrimento.
Tratamento multidisciplinar
Paracelsus envolve 15 especialistas, integrando psiquiatria, psicoterapia, intervenções médicas e mudanças de estilo de vida.
O processo começa identificando causas da compulsão, como ansiedade, traumas não resolvidos ou questões de identidade, seguido por terapias direcionadas, incluindo cognitivo-comportamental.
Quanto às demais questões de saúde mental, aspectos básicos como uma rotina de sono adequada, que vem se transformando em luxo, elas também impactam no resultado final da experiência.
Gerber afirma que cronogramas de tratamento, suporte médico, psicoterapia e intervenções no estilo de vida são integrados de forma contínua.
Cenário semelhante
Nos Estados Unidos, clínicas de alto padrão relatam situação parecida. Jordan Shlain, fundador da Private Medical, descreve o quadro como doloroso de assistir.
Os pacientes monitoram biomarcadores, calculam suplementos e cancelam compromissos sociais, prejudicando relacionamentos.
Há registros de problemas renais, desequilíbrios hormonais, lesões por treino excessivo e eventos cardíacos ligados ao uso não supervisionado de substâncias voltadas à longevidade.
Shlain alerta para os riscos do consumo de produtos experimentais e da autoprescrição. “É preciso dominar os quatro pilares da saúde: dieta, exercício, sono e nutrição social, antes de experimentar com o corpo baseado em influenciadores. É uma estratégia ruim”, afirmou em entrevista.
Mercado bilionário
A indústria da longevidade movimenta dezenas de bilhões de dólares, mesmo que restrita aos muito ricos. De acordo com O Globo, Shain frisa que o setor contribui para criar pacientes ansiosos. “Quando você comercializa o medo da morte e o autocontrole como solução, vai gerar esses casos”.


