Um estudo apresentado durante o congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) mostrou que a biópsia líquida ajuda a identificar quatro vezes mais casos de câncer.
Isso porque essa tecnologia consegue sinalizar a doença antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas. Entenda como a biópsia líquida funciona.
O que é a biópsia líquida?
Na biópsia tradicional, são retirados células ou tecidos do corpo para análise em laboratório. É por meio dela que é possível diagnosticar diversos tipos de cânceres e outras doenças.
Ela pode ser feita com uma agulha, guiada por exames de imagem; por colonoscopia ou endoscopia; ou por uma cirurgia que retira partes ou o total de uma lesão.
Já a biópsia líquida é um exame de sangue que é capaz de detectar fragmentos de DNA de células cancerígenas na corrente sanguínea.
O principal diferencial da biópsia líquida é que ela é minimamente invasiva, quando comparada com a biópsia tradicional. Isso oferece mais conforto ao paciente, que pode repetir o exame sempre que necessário, para acompanhar a evolução da doença.
Além de facilitar o diagnóstico, o exame pode identificar alterações genéticas específicas, permitindo que médicos escolham terapias mais direcionadas para cada paciente.
Atualmente, no Brasil, elas são utilizadas para guiar tratamentos com terapias alvo, identificar mutações de resistência sem precisar de uma biópsia convencional invasiva e avaliar a eficácia de um remédio para um paciente.
Biópsia líquida para pessoas sem sintomas
O estudo “NHS-Galleri” foi realizado com 142.924 participantes inscritos e observou a utilidade clínica da biópsia líquida para o rastreio anual de tumores em pessoas que não têm sintomas.
O uso da tecnologia para rastreamento anual reduziu os cânceres detectados clinicamente em 21% e as apresentações de emergência em 21%.
Isso significa que o uso da biópsia líquida em programas de rastreamento populacional pode ajudar a reduzir a carga de câncer em estágio avançado.
Além disso, ela pode identificar até quatro vezes mais casos de câncer do que métodos convencionais em determinadas situações, segundo a pesquisa.
Embora os resultados sejam considerados bastante promissores, especialistas ressaltam que a tecnologia ainda complementa outros exames e avaliações clínicas, não substituindo totalmente os métodos tradicionais em todos os casos.
O uso amplo dessa tecnologia no SUS, por exemplo, ainda depende de validações clínicas, disponibilidade e integração com outros métodos diagnósticos.






