Uma das 7 maravilhas do mundo foi encontrada após 1600 anos

Operação subaquática inédita resgata partes originais de monumento que faz parte das Sete Maravilhas do Mundo Antigo

Iniciativa que busca recriar o Farol de Alexandria de forma virtual

Iniciativa que busca recriar o Farol de Alexandria de forma virtual | SciVi 3D studio/Wikimedia Commons

Uma operação arqueológica de alta precisão no Mar Mediterrâneo trouxe novas pistas sobre o lendário Farol de Alexandria, considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram retirar do fundo do mar partes monumentais da estrutura original.

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Ao todo, 22 blocos de granito que integravam a entrada do farol foram resgatados das águas próximas ao porto oriental de Alexandria, no Egito. As peças estavam submersas há séculos e ajudam a preencher lacunas sobre a construção do edifício.

A descoberta reforça a importância histórica do local e marca um avanço significativo nos estudos sobre engenharia e arquitetura do mundo antigo.

Resgate subaquático com tecnologia de ponta

Os blocos recuperados chamam atenção pelo tamanho e pelo peso. Cada um deles pesa entre 70 e 80 toneladas, o que exigiu uma operação cuidadosamente planejada para evitar danos às peças.

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Para retirar os blocos do fundo do mar, a equipe utilizou guindastes instalados em plataformas flutuantes. O trabalho foi realizado diretamente no porto oriental de Alexandria, com monitoramento constante.

A ação integra um programa de pesquisas iniciado em 1994 pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, em parceria com o Instituto Europeu de Arqueologia Subaquática e especialistas franceses.

Até o momento, mais de 3.300 fragmentos arquitetônicos do farol já foram documentados por meio de análises subaquáticas realizadas ao longo das últimas décadas.

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Os novos blocos retirados do mar devem passar por processos de estudo, conservação e restauração antes de qualquer exposição ao público.

Peças que ajudam a entender o passado

Entre os elementos resgatados estão vergas, soleiras e pilares que faziam parte da entrada principal do farol. A identificação dessas estruturas oferece informações inéditas sobre como egípcios e gregos aplicavam conhecimentos avançados de engenharia durante o período helenístico, mesmo sem os recursos tecnológicos atuais.

Segundo os pesquisadores, o formato e o encaixe das peças indicam um nível elevado de precisão, o que explica a longevidade da construção ao longo dos séculos.

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A história do Farol de Alexandria

O Farol de Alexandria foi erguido na ilha de Faros durante o reinado de Ptolemeu II, entre 280 e 247 antes de Cristo. Com mais de 130 metros de altura, era uma das estruturas mais altas do mundo antigo.

Durante cerca de 1.600 anos, o farol orientou navegadores que cruzavam o Mar Mediterrâneo, funcionando como ponto de referência essencial para o comércio e a navegação.

A construção resistiu ao tempo até ser destruída por uma sequência de terremotos ocorridos entre os séculos 11 e 14.

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Depois do desabamento, parte das pedras do farol foi reaproveitada na construção da Cidadela de Qaitbay, fortaleza erguida próxima ao local original e que ainda pode ser visitada.

No entanto, grande parte da estrutura acabou afundando no mar, onde permaneceu esquecida por séculos, coberta por sedimentos e pela ação da água.

Somente com o avanço da arqueologia subaquática foi possível localizar e mapear os fragmentos espalhados pelo fundo do Mediterrâneo. Além disso, pesquisadores também descobriram um porto submerso que pode levar ao túmulo de Cleópatra.

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Projeto PHAROS aposta na reconstrução digital

Os blocos agora resgatados são considerados fundamentais para o Projeto PHAROS, iniciativa que busca recriar o Farol de Alexandria de forma virtual, uma colaboração entre o Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) da França, o Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito, além da fundação francesa Dassault Systèmes.

O trabalho utiliza técnicas avançadas de fotogrametria e mapeamento tridimensional, permitindo a digitalização precisa de cada fragmento encontrado. Com isso, pesquisadores conseguem montar um modelo virtual interativo que reproduz a arquitetura original do monumento com alto nível de detalhamento.

Segundo os especialistas envolvidos, o objetivo final é integrar as peças recuperadas a exposições futuras, permitindo que o público tenha contato direto com vestígios do farol.

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A proposta é unir arqueologia e tecnologia para aproximar o passado do presente, tornando a história acessível de forma visual e interativa.

Com cada novo fragmento resgatado, o Farol de Alexandria deixa de ser apenas um símbolo perdido no tempo e se aproxima, novamente, da compreensão humana.