Com casca alaranjada coberta por espinhos e interior verde intenso, o kiwano (Cucumis metuliferus) ganhou a fama de “fruta alienígena”.
E não é esse o único apelido da fruta, que também recebe nomes como melão-chifrudo, pepino-africano, kino e até chifrudo.
A espécie é nativa de regiões semiáridas da África, especialmente áreas próximas ao Deserto do Calaári. Atualmente, também é cultivada em outros continentes e chegou ao mercado brasileiro em pequena escala.
Formato incomum surgiu como estratégia de sobrevivência
A aparência do kiwano não surgiu por acaso. Os espinhos funcionam como uma barreira natural contra animais que poderiam consumir a fruta antes da dispersão das sementes.
Já a casca espessa ajuda a reduzir a perda de água sob temperaturas elevadas do Deserto do Calaári.
No interior, a polpa gelatinosa atua como uma reserva de água e nutrientes, o que permite que animais e populações locais utilizassem o fruto como fonte de hidratação em regiões onde a água nem sempre está disponível.
Benefícios para intestino e coração
Além da aparência curiosa, o kiwano tem despertado interesse da comunidade científica. Segundo estudo publicado na revista Molecules, a fruta contém compostos antioxidantes, vitamina E, substâncias fenólicas e flavonoides.
Esses componentes ajudam a combater os chamados radicais livres, moléculas associadas ao envelhecimento celular. Além disso, ajuda a proteger tecidos e vasos sanguíneos contra danos ao longo do tempo.
A mesma pesquisa também identificou potencial prebiótico em compostos presentes no fruto. Os prebióticos servem de alimento para bactérias benéficas que vivem no intestino.
Quando essa microbiota está equilibrada, a digestão tende a funcionar melhor. O estudo também destaca nutrientes relacionados à saúde cardiovascular e potencial antioxidante.
Como consumir e onde encontrar no Brasil
O kiwano maduro pode ser consumido cru. Basta cortar a fruta ao meio e retirar a polpa com uma colher. As sementes também podem ser ingeridas junto com a parte gelatinosa.
O sabor costuma ser descrito como uma mistura suave de pepino, kiwi e banana. A polpa ainda pode ser utilizada em sucos, vitaminas e sobremesas.
No Brasil, a fruta costuma ser comercializada sob o nome de kino. Segundo a CEAGESP, ela aparece principalmente em mercados especializados, empórios e redes de hortifrúti que trabalham com produtos exóticos.
Embora seja considerada segura para a maioria das pessoas, quem possui doença renal crônica deve buscar orientação médica antes do consumo.
Isso ocorre porque frutas com elevado teor de potássio podem exigir restrições alimentares em alguns tratamentos.







