Nos últimos anos, regar plantas com cubos de gelo se tornou popular entre jardineiros domésticos. A ideia é simples: o gelo derrete devagar, mantendo o substrato úmido por mais tempo.
A técnica começou com as orquídeas (Phalaenopsis), que em regiões frias precisam de uma queda de temperatura para florescer. Em climas quentes, cultivadores passaram a usar gelo para simular esse efeito e estimular a floração no inverno.
Um estudo publicado na HortScience em 2017 mostra que o método não reduz a vida útil das orquídeas nem danifica a planta visivelmente, mas também não oferece vantagem em relação à rega com água normal.
Apesar disso, a prática ainda gera debate, e especialistas não chegaram a um consenso sobre sua real eficácia.
Funciona mesmo?
Apesar de parecer lógica, a técnica não é tão eficiente quanto indica. O cubo derrete devagar, mas nem sempre umedece todo o substrato, deixando o solo seco em algumas áreas.
“Infelizmente, a técnica de regar as plantas com gelo não é segura para nenhuma planta”, opina Samuel Gonçalves, biólogo e autor da página Um Botânico no Apartamento.
“Na realidade, elas podem até entrar em dormência, como acontece em algumas regiões de climas temperados que neva. Definitivamente não é uma coisa que ajuda as plantas”, afirma, segundo a revista Casa e Jardim.
Perigos para as raízes
A água gelada também pode causar choque térmico, pois o gelo forma cristais que aumentam de volume. Isso pode romper as células das raízes e prejudicar a saúde da planta a longo prazo.
“As principais críticas são porque o gelo pode, literalmente, acabar congelando as células que ficam na raiz. Quando a água congela, ela aumenta de volume. O fato de ela formar os cristais de gelo pode estourar as células vegetais”, complementa Gonçalves.
Opinião favorável
Por outro lado, Marcelo Gomes, gestor ambiental e especialista em arquitetura paisagística, defende que o gelo pode ajudar no controle da água em vasos:
“O derretimento lento da água permite que o solo absorva a umidade de forma mais eficiente, minimizando a evaporação rápida que ocorre com a rega tradicional, especialmente em climas quentes.”
Ele recomenda usar dois a três cubos para vasos pequenos e quatro a seis para médios, ajustando conforme o tamanho do vaso e a espécie da planta.
Segundo ele, o gelo deve ser colocado diretamente no substrato e nunca encostar nas raízes expostas.
Outro ingrediente que os especialistas recomendam para cuidar das orquídeas é a famosa água de arroz, que pode oferecer nutrientes essenciais para essa planta.
No Brasil, a fama dessa espécie é tão grande que o município de Várzea Paulista, em São Paulo, até recebeu o apelido de “Cidade das Orquídeas”.
Plantas indicadas
Orquídeas, lírio-da-paz, antúrio, zamioculca, espada-de-são-jorge, jiboia e clorofito podem se beneficiar do método pois não toleram solo encharcado.
No entanto, espécies tropicais ou suculentas, que preferem solo seco, não toleram o choque térmico do gelo.
“É uma forma complementar de hidratação, mas não substitui a rega tradicional”, reforça Gomes.
Sinais de que a planta não se adaptou
Se optar por testar o método, observe atentamente sinais de estresse, como folhas amareladas, murchamento, manchas, crescimento atrofiado ou raízes moles.
Ao notar qualquer um deles, interrompa o uso do gelo e volte à rega tradicional.
De qualquer forma, garantir luz adequada, ventilação e adubação correta continua sendo fundamental para a saúde e o desenvolvimento das plantas.


