Atenção para quem deseja congelar os óvulos, porém, sofre com à distância. Com o avanço da tecnologia, um novo método permite que algumas etapas do processo sejam feitas de modo remoto.
Desde a pandemia, a procura pelo congelamento de óvulos tem registrado um crescimento significativo em São Paulo, consolidando a cidade como um dos principais polos desse tipo de tratamento no Brasil.
A especialista em reprodução humana assistida, Paula Marin, explicou que esse aumento está diretamente relacionado a mudanças no planejamento familiar, avanços tecnológicos e à maior conscientização sobre o impacto da idade na fertilidade feminina.
Telemedicina e congelamento de óvulos
O avanço da telemedicina trouxe uma nova dimensão ao congelamento de óvulos, permitindo que etapas iniciais do tratamento sejam realizadas remotamente, com conforto e praticidade para as pacientes.
Essa abordagem híbrida combina a tecnologia com o atendimento humanizado, garantindo que o planejamento inicial ocorra de maneira eficiente, enquanto os procedimentos clínicos são realizados presencialmente.
Segundo Paula Marin, o processo começa com uma avaliação detalhada para identificar fatores de risco que podem impactar a reserva ovariana.
“É essencial investigar históricos como cirurgias ovarianas anteriores, sintomas de endometriose – como cólicas menstruais intensas e dor durante a relação sexual –, uso prévio de quimioterapia ou casos de menopausa precoce na família”, explicou.
Durante as teleconsultas, Paula destacou que dedica um tempo significativo para educar as pacientes sobre o funcionamento dos ovários, o desenvolvimento folicular e a relação entre idade e fertilidade.
“Acredito que uma explicação clara e didática é fundamental para que a paciente compreenda todas as etapas do tratamento e tome decisões informadas”, disse.
Ao fim da consulta virtual, a médica traça um plano personalizado de conduta, que pode incluir:
- Ajustes de medicações, como a suspensão de anticoncepcionais ou outros medicamentos que possam interferir no tratamento;
- Prescrição de vitaminas ou suplementos específicos, quando necessário;
- Solicitação de exames de rotina ginecológica, caso a paciente não tenha exames recentes;
- Investigação diagnóstica adicional, caso sejam levantadas hipóteses durante a anamnese;
- Exames específicos para o congelamento de óvulos, incluindo perfil hormonal, sorologias e a dosagem do hormônio antimulleriano (AMH).
Essa integração da telemedicina ao processo de congelamento de óvulos reflete um cuidado moderno, eficiente e voltado às necessidades individuais das pacientes, facilitando o acesso ao tratamento e promovendo uma experiência acolhedora e informativa.
Já para as mulheres no período de climatério, a Gazeta deu dicas de como lidar melhor com o período.
O acompanhamento do tratamento
A consulta presencial é cuidadosamente programada para coincidir com os primeiros dias do ciclo menstrual ou logo após a ovulação, momento ideal para a contagem dos folículos antrais e a definição de um protocolo de medicação personalizado.
A profissional disse que, durante a consulta, a paciente pode adquirir toda a medicação necessária diretamente na clínica, o que facilita sua jornada.
“Nossa equipe de enfermagem aplica a primeira dose e orienta detalhadamente sobre o uso das demais. Nesse mesmo dia, se preferir, a paciente já pode retornar para sua cidade, levando consigo todos os medicamentos do tratamento”, explicou Paula Marin.
O acompanhamento do estímulo ovariano começa com a primeira ultrassonografia de controle, realizada por volta do 7º dia do ciclo.
Ao longo da segunda semana, são realizadas mais duas ultrassonografias transvaginais para monitorar o desenvolvimento dos folículos e ajustar a medicação, se necessário.
Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é agendada a aspiração folicular, normalmente entre o 12º e o 14º dia do estímulo.
“No dia da aspiração, recomendamos repouso para garantir uma recuperação tranquila e permitir que a equipe acompanhe qualquer eventual sintoma. No dia seguinte, a paciente já está liberada para retornar à sua cidade com segurança”, acrescenta a médica.
A especialista em Reprodução Humana Assistida destacou que também há a possibilidade, em alguns casos, se a paciente preferir, pode adquirir a medicação e fazer a estimulação onde mora.
Também é possível realizar ultrassonografias para controle do desenvolvimento folicular e encaminhar os resultados para a Paula Marin para avaliação e ajuste de doses.
“Assim, ela pode vir para São Paulo apenas para a aspiração, resultando em poucos dias de permanência por aqui”, explicou a médica.
Paula Marin ressaltou que a integração da telemedicina com um acompanhamento especializado tem tornado o congelamento de óvulos mais acessível para mulheres que não residem em São Paulo ou até mesmo no Brasil.
“Com os avanços da medicina reprodutiva, as mulheres têm à disposição tratamentos modernos e seguros. A chave é buscar informação e entender como essas opções podem transformar o planejamento reprodutivo”, concluiu.
Uma vez grávida, a mulher precisa estar atenta aos cuidados necessários com a gestação, incluindo saber quais procedimentos de beleza podem seguir sendo realizados durante este período.
Tendências no Pós-Pandemia
Segundo dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), entre 2020 e 2023 (durante e após a pandemia), o número de óvulos congelados aumentou em quase 100% (96,5%) no país — foi de 56.710 para 111.413.
Por que São Paulo é um polo de referência?
São Paulo se destaca nesse cenário pela ampla oferta de clínicas especializadas e infraestrutura de ponta.
O local reúne fatores que consolidam sua posição como um dos principais destinos para tratamentos de reprodução assistida, incluindo o congelamento de óvulos.
A cidade concentra a maior parte das clínicas e laboratórios especializados no Brasil, equipados com tecnologia de ponta e profissionais renomados.
Além disso, de acordo com a especialista, destaca-se por oferecer uma infraestrutura completa, que inclui hospitais de excelência, facilidade de acesso a grandes centros médicos e um ambiente acolhedor para pacientes.
“Muitas mulheres escolhem São Paulo não apenas pela qualidade técnica dos tratamentos, mas também pela segurança, confiabilidade e atenção personalizada oferecida durante todo o processo”, afirmou Paula Marin, diretora da Clínica Venvitre.
