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SAÚDE

Entenda os riscos de fumar cigarro eletrônico

Especialistas esclarecem quais são os riscos para a saúde de fumar cigarro eletrônico, também conhecido como vape e pod

Gladys Magalhães

Publicado em 08/03/2024 às 13:50

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Design das embalagens e diversidade de sabores estão entre os atrativos do cigarro eletrônico / Roland Mey por Pixabay

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Apesar de proibido no Brasil, o cigarro eletrônico é uma febre, especialmente entre os jovens. Dados do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica), divulgados em janeiro de 2024, mostram que o também conhecido como vape, ou pod, já é utilizado regularmente por 2,9 milhões de brasileiros, número cinco vezes maior ao apurado em 2022.

 

O design das embalagens, a diversidade de sabores, bem como a possibilidade de que o cigarro eletrônico facilitaria o usuário de cigarro convencional a largar o vício, estão entre os atrativos do dispositivo. Contudo, especialistas alertam: o cigarro eletrônico pode fazer muito mal à saúde.

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“Apesar de ser muitas vezes tido como auxiliar na interrupção do uso de cigarro convencional, o cigarro eletrônico pode conter altas concentrações de nicotina, muitas vezes superiores ao cigarro convencional, e a solução do cartucho ainda possui uma série de substâncias químicas, como propileno glicol, glicerol, ácido benzoico e flavorizantes, que podem aumentar a incidência de doenças respiratórias”, explica a professora Carolina Polido, coordenadora do curso de Enfermagem da Estácio.

 

Cigarro eletrônico: altamente viciante
De acordo com especialistas, o cigarro eletrônico age no corpo de forma muito similar ao cigarro convencional. Dessa forma, ao tragar o dispositivo, a fumaça segue pela boca, faringe, laringe, traqueia e chega aos pulmões, onde as substâncias inaladas atingem a circulação sanguínea e se espalham pelo corpo.

Outra similaridade do cigarro eletrônico e do convencional é que ambos são altamente viciantes. O vape, porém, tende a viciar mais rapidamente.  

“Em linha gerais, ele tende a viciar mais rápido, pois a quantidade de nicotina é maior. Os adolescentes, por exemplo, estão fazendo grande uso do cigarro eletrônico e estão se viciando rapidamente, pois eles estão inalando nicotina em concentrações maiores do que o cigarro comum”, alerta o pneumologista Alberto Cukier, do Hospital Santa Catarina – Paulista.

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As doenças mais comuns associadas ao cigarro eletrônico
Ainda que seja um dispositivo recente, que carece de mais estudos para saber quais os efeitos da nicotina inalada por tal meio no corpo a longo prazo, não faltam notícias de pessoas que tiveram problemas graves de saúde por conta do uso de cigarro eletrônico.

 

Entre as principais ocorrências, os profissionais de saúde citam os mesmos danos do cigarro convencional, como aceleração do envelhecimento, maior incidência de câncer e de doenças respiratórias e cardiovasculares.

“As consequências do uso do cigarro eletrônico são muito menos conhecidas que as do cigarro comum. Porém, na comparação com o restante da população, os fumantes do dispositivo possuem maior tendência de desenvolver doenças respiratórias, como enfisema, doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de pulmão, além de doenças circulatórias, como infarto e acidente vascular cerebral”, afirma Alberto.

Vale prestar atenção ainda na chamada Evali, uma lesão pulmonar provocada pelo uso do cigarro eletrônico.

“A Evali é uma doença exclusiva do cigarro eletrônico e não tem sintomas específicos. O diagnóstico é feito através da eliminação de outras doenças pulmonares, e histórico de uso de cigarros eletrônicos. Assim, o tratamento depende dos sintomas que a pessoa apresenta”, explica Carolina.

Alberto completa: “A Evali não tem sintomas específicos, mas costuma ser caracterizada por uma alteração súbita, com uma insuficiência respiratória muito rápida, com as pessoas precisando de internação urgente e com alta taxa de mortalidade.”

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Fique de olho
Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 17% dos adolescentes entre 13 e 17 anos já experimentaram cigarro eletrônico, sendo que entre alunos de escolas particulares, o percentual sobe para 18%. Assim, aconselham os profissionais, os pais devem ficar atentos para evitar as consequências do uso do vape, inclusive com a inalação passiva, que também é prejudicial.

 

“Fumar não é, de forma nenhuma, um hábito que deve ser estimulado, e a diversificação de “sabores” do cigarro eletrônico se tornou um grande chamariz para os adolescentes. É necessária muita orientação dentro de casa para informar sobre os riscos e impedir que os adolescentes experimentem nicotina (seja na forma de cigarros convencionais ou eletrônicos)”, orienta Carolina, que diz ainda que os pais devem observar se encontram frascos, recipientes ou cartuchos de reabastecimento do dispositivo nos pertences dos filhos.

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