Enxaqueca e cafeína: chocolate e café podem piorar as crises a longo prazo

Neurologista alerta que substâncias comuns podem mascarar a dor e intensificar crises em pessoas com cérebro geneticamente mais sensível

Embora a enxaqueca não seja causada por alimentos, alguns ingredientes podem atuar como gatilhos das crises

Embora a enxaqueca não seja causada por alimentos, alguns ingredientes podem atuar como gatilhos das crises | Yanalya/Freepik

A enxaqueca é uma doença neurológica crônica, hereditária e complexa, que afeta cerca de 30 milhões de brasileiros, segundo a Organização Mundial de Saúde.

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Embora a enxaqueca não seja causada por alimentos, alguns ingredientes podem atuar como gatilhos das crises e também contribuir para a cronificação da doença.

O próprio chocolate, aquele doce tão querido por todos, é um dos alimentos que acabam mascarando e piorando a situação.

Cafeína é vilã da enxaqueca

Segundo a neurologista Thais Villa, referência no tratamento da enxaqueca no Brasil, entre essas substâncias destaca-se a cafeína.

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“É o principal estimulante do sistema nervoso central, encontrada naturalmente no café, em chás brancos e verdes, no cacau dos chocolates escuros, refrigerantes a base de cola e também em alguns medicamentos amplamente utilizados para o alívio da dor de cabeça, o que pode mascarar os sintomas e favorecer a cronificação da enxaqueca”, afirmou.

O efeito analgésico pode mascarar a doença:

“Em pessoas que sofrem de enxaqueca, condição comum em indivíduos com um cérebro geneticamente hiperexcitado, a cafeína atua no sistema nervoso central, deixando-o ainda mais em estado de alerta. Além disso, por ter efeito analgésico, a substância pode mascarar a dor de cabeça; porém, quando o consumo é interrompido, o paciente tende a sentir dor mais intensa, além de apresentar queda no desempenho físico e menta”, explicou a especialista.

Energéticos, suplementos e salgadinhos também atrapalham

Na lista de substâncias que ativam o cérebro também entram os energéticos, os pré-treinos e diversos suplementos.

Além disso, há alimentos ricos em glutamato monossódico, como temperos prontos, salgadinhos, biscoitos e molho shoyu, e outros com efeito termogênico, como pimentas fortes, gengibre, cúrcuma e canela.

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Acompanhamento especializado é fundamental

A enxaqueca é uma doença crônica, sem cura, que acompanha o paciente desde o nascimento até o fim da vida.

No entanto, com acompanhamento especializado, é possível levar uma vida livre de dores por meio de um tratamento integrado, que combina mudanças no estilo de vida a intervenções modernas, como o uso da toxina botulínica e de medicamentos anti-CGRP, prevenindo a progressão dos sintomas e reduzindo o risco de complicações que podem comprometer a qualidade de vida.

Filhos podem ‘herdar’ a doença

Segundo Thais Villa, estudos recentes analisaram o DNA de milhares de pessoas com e sem enxaqueca e identificaram mais de 180 variações genéticas (SNPs) associadas à doença.

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“Essas alterações influenciam áreas do cérebro responsáveis pela regulação de múltiplos neurotransmissores, pelo funcionamento cerebral, pela percepção da dor, pelas funções cognitivas e pela regulação do humor. Isso mostra que a predisposição genética não é uma sentença, mas indica que o cérebro da pessoa com enxaqueca é naturalmente mais sensível”, explica a neurologista.

Por se tratar de uma doença genética multifatorial, na qual a combinação de diversos genes com fatores ambientais aumenta o risco de desenvolvimento, a enxaqueca costuma se repetir nas famílias. Quando um dos pais é diagnosticado com a condição, o filho tem cerca de 50% de chance de também apresentá-la.