Altamira, no Pará, não é só a terceira maior cidade em extensão territorial do mundo, com 159,5 mil km² — perde apenas para duas cidades na Groenlândia —, mas também a maior emissora de gases do efeito estufa no Brasil.
Campeã de emissões
O município é maior que Portugal, Islândia, Irlanda e Suíça e um dos que mais emite gases do efeito estufa do País. Somente em 2019, foram mais de 35 milhões de toneladas brutas de dióxido de carbono, segundo o Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG).
O desmatamento é a principal causa para que dos 10 municípios que mais desmatam no Brasil, oito estejam na Amazônia. Veja o ranking das dez cidades:
- Altamira (Pará)
- São Félix do Xingu (Pará)
- Porto Velho (Rondônia)
- Lábrea (Amazonas)
- São Paulo (São Paulo)
- Pacajá (Pará)
- Novo Progresso (Pará)
- Rio de Janeiro (Rio de Janeiro)
- Colniza (Mato Grosso)
- Apuí (Amazonas)
Além disso, a cidade já registrou taxas de homicídios até três vezes maiores do que a média nacional, devido ao grande crescimento populacional e ao crescimento de organizações criminosas.
Belo Monte
A usina de Belo Monte é gerenciada pela empresa Norte Energia. Estudo feito por cientistas e indígenas que habitam a bacia do rio Xingu alega que a hidrelétrica prejudicou rios, peixes e modo de vida das comunidades ribeirinhas.
O levantamento foi publicado na revista Conservation Biology e mostra que a alteração no curso do rio aumentou a seca e afetou a pesca no município de Altamira.
A empresa dona da barragem contestou a pesquisa alegando que se tratava de antes da barragem entrar em operação. E que os danos naturais já foram levados em conta.
Legado indígena
Altamira possui forte influência indígena. Em 2025, a cidade recebeu os Jogos Indígenas do Xingu. O evento reuniu 14 etnias de povos originários com disputas esportivas, apresentações culturais e atividades ancestrais.
O município possui mais de 126 mil habitantes. No território existem 52 aldeias indígenas como Arara, Iriri, Kararaô, Kwatinemu, Marupai e Tukaya, entre muitas outras.
Além disso, a cidade é conhecida como “Princesinha do rio Xingu”, porque fica às margens de uma das principais vias fluviais do estado.
Extremamente disputado, esse município é responsável por aglomerar uma grande quantidade de grupos e interesses em um único território. Essa singularidade faz com que Altamira enfrente problemas que só uma das maiores cidades (em extensão) do mundo pode enfrentar.



