Um novo estudo apresentado no congresso da American Diabetes Association (ADA), nos Estados Unidos, mostrou que pessoas tomaram metformina apresentaram uma probabilidade 58% menor de desenvolver demência.
A metformina é o medicamento mais prescrito do mundo para para controlar o diabetes tipo 2.
O interesse por esse possível efeito protetor cresce à medida que o diabetes tipo 2 já é reconhecido como um fator de risco importante para o desenvolvimento de demência, incluindo o Alzheimer e a demência vascular.
Metformina para demência
O estudo publicado no JAMA Network Open foi feito com usuários de metformina nascidos antes de 1955, sem histórico de doença renal diagnosticada no início do tratamento com metformina.
Um total de 12.220 indivíduos que interromperam o tratamento precocemente foram comparados a usuários regulares de metformina que ainda não haviam interrompido o tratamento ou que o haviam interrompido após problemas renais.
Os indivíduos que interromperam o tratamento precocemente foram pareados com usuários regulares de metformina da mesma idade e sexo, com a mesma duração de diabetes.
O resultado: quem parou de tomar o remédio precocemente teve um risco 21% maior de desenvolver demência, mesmo depois de descontar fatores como controle glicêmico e uso de insulina.
Já o estudo apresentado na American Diabetes Association (ADA) incluiu 1.483 pessoas, com idade média de 74 anos, avaliadas quanto ao status cognitivo num período de seguimento entre 2022 e 2024.
Os participantes com pré-diabetes, originalmente designados para receber metformina, apresentaram uma probabilidade 58% menor de desenvolver demência, em comparação com aqueles que receberam placebo
Outro levantamento, com mais de 112 mil pessoas com 50 anos ou mais, encontrou uma taxa de incidência de demência cerca de 20% menor entre novos usuários de metformina em comparação com usuários de outra classe de medicamento para diabetes, a sulfonilureia.
A metformina pode prevenir a demência mesmo em quem não tem diabetes?
Ainda não há resposta definitiva para essa pergunta. Os estudos disponíveis até agora são observacionais, o que significa que mostram uma associação estatística, mas não comprovam que a metformina causa a redução do risco.
O que isso muda na prática?
Para quem já tem diabetes tipo 2 e faz uso da metformina, os achados reforçam a orientação de não interromper o tratamento por conta própria, especialmente em pessoas com maior risco de demência, como aquelas com histórico familiar da doença.
Já para pessoas sem diabetes, os especialistas são unânimes: não há evidência suficiente para recomendar o uso do medicamento com o único objetivo de prevenir demência. A decisão sobre iniciar ou manter qualquer tratamento deve ser sempre feita em conjunto com um médico, considerando o histórico de saúde individual.






