Dia Mundial do Orgasmo: fisioterapia pélvica pode ser a salvação para mulheres que sentem dor na relação ou não conseguem alcançar o clímax

Especialista em fisioterapia pélvica e sexualidade explica como o fortalecimento e o tratamento do assoalho pélvico podem melhorar a vida sexual feminina

Fisioterapia pode ajudar mulheres que nunca tiveram um orgasmo (Foto: Jcomp/Magnific)

Fisioterapia pode ajudar mulheres que nunca tiveram um orgasmo (Foto: Jcomp/Magnific)

Muitas mulheres convivem por anos com dor durante a relação sexual, dificuldade para atingir o orgasmo, e grande parte delas acredita que esses problemas são normais. No entanto, especialistas afirmam que a resposta pode estar em uma parte do corpo que poucas pessoas conhecem de verdade.

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Celebrado em 31 de julho, o Dia Mundial do Orgasmo chama atenção para a importância da saúde do assoalho pélvico, estrutura muscular que influencia desde a continência urinária até o prazer sexual e que pode ser fortalecida com acompanhamento especializado.

Durante muito tempo, o assoalho pélvico foi lembrado quase exclusivamente durante a gravidez e o pós-parto. Hoje, porém, pesquisas e especialistas mostram que essa musculatura também desempenha um papel importante na qualidade da vida sexual feminina.

Por que o assoalho pélvico interfere no prazer

O assoalho pélvico é formado por músculos, ligamentos e tecidos que sustentam órgãos como bexiga, útero e reto. Além dessa função, ele participa da resposta sexual ao favorecer a circulação sanguínea na região íntima e contribuir para a sensibilidade durante a relação.

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Em entrevista ao jornal espanhol El País, a fisioterapeuta pélvica Beatriz Peralta explicou que muitas mulheres chegam ao consultório sem conseguir identificar ou contrair corretamente essa musculatura.

Para ilustrar, Beatriz diz: “Imagine um funil que envolve os quadris nas laterais, o sacro e a região lombar atrás, e o púbis na frente, como uma rede apoiada nesses ossos. Essa estrutura é o que sustenta os órgãos pélvicos: bexiga, uretra, reto e útero.”

Segundo ela, o tratamento da fisioterapia pélvica ajuda a desenvolver consciência corporal, melhorar a lubrificação e tornar a relação sexual mais confortável e prazerosa.

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A importância desse trabalho também aparece na literatura científica. Uma revisão publicada na revista Acta Fisiátrica, da USP, concluiu que os estudos analisados apontam melhora da função sexual feminina após intervenções fisioterapêuticas voltadas ao fortalecimento do assoalho pélvico, especialmente em casos de dor, diminuição da sensibilidade e dificuldade para atingir o orgasmo.

Muito além dos exercícios

Embora muitas pessoas associem a fisioterapia pélvica apenas aos chamados exercícios de Kegel, o tratamento costuma incluir uma avaliação individualizada. Dependendo do caso, o acompanhamento pode envolver técnicas de relaxamento muscular, terapia manual e exercícios para melhorar o controle da musculatura.

Beatriz destaca que algumas pacientes acreditam que o tratamento consiste apenas em exercícios, mas descobrem durante o processo que também existem técnicas internas realizadas por fisioterapeutas especializados. O objetivo é aliviar tensões, melhorar a circulação local e ampliar a percepção corporal.

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Segundo a especialista, a avaliação profissional é fundamental porque nem todas as mulheres apresentam o mesmo tipo de alteração. Em alguns casos, fortalecer a musculatura sem um diagnóstico adequado pode não ser a abordagem mais indicada.

Dores não devem ser normalizadas

Sentir dor durante a penetração, apresentar dificuldade constante para atingir o orgasmo ou sofrer com incontinência urinária são situações que merecem investigação. Apesar disso, muitas mulheres convivem durante anos com esses sintomas sem procurar ajuda.

A ginecologista Enriqueta Barranco afirmou ao El País que a anatomia do assoalho pélvico e sua participação na resposta sexual ainda recebem pouca atenção em parte dos materiais didáticos, o que contribui para o desconhecimento sobre o tema até entre profissionais da saúde.

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“Há uma representação lamentavelmente inadequada nos livros de anatomia, inclusive nos oficiais, dos músculos que sustentam o assoalho pélvico”, denuncia a especialista.

Além do tratamento físico, especialistas ressaltam que o autoconhecimento também faz diferença. Compreender o funcionamento do próprio corpo e buscar atendimento quando surgem sintomas pode melhorar não apenas a vida sexual, mas também a autoestima, o bem-estar e a qualidade de vida em qualquer fase da vida.

Como surgiu o Dia do Orgasmo

Celebrado em 31 de julho, o Dia do Orgasmo nasceu no Reino Unido, em 1999. A data foi criada durante uma campanha promovida por redes britânicas de sex shops para estimular o debate sobre prazer sexual, quebrar tabus e chamar atenção para a dificuldade que muitas mulheres enfrentavam para chegar ao orgasmo.

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Com o passar dos anos, a iniciativa deixou de ter apenas um caráter comercial e ganhou espaço em campanhas de educação sexual e saúde. Hoje, profissionais da área usam a data para incentivar o autoconhecimento, esclarecer dúvidas e reforçar que o prazer também faz parte do bem-estar físico e emocional.

Embora seja conhecida como Dia Mundial do Orgasmo, a celebração não foi criada por um organismo internacional. Ainda assim, a data se popularizou em diversos países e passou a servir como oportunidade para discutir sexualidade sem preconceitos, principalmente quando o assunto é o prazer feminino.